Quantos anos o brasileiro passa na internet? Tempo passa de 52 anos

O tempo que a população gasta em frente às telas atingiu uma marca histórica. Uma pesquisa realizada em abril de 2026 pela NordVPN, empresa de privacidade e segurança digital, revelou que o brasileiro passa, em média, 52 anos, nove meses e 16 dias conectado à internet ao longo da vida. Considerando que a expectativa de vida média no país é de 76 anos, isso significa que o cidadão passa impressionantes 70% de sua existência na rede, um reflexo direto de novas tecnologias e do avanço da inteligência artificial no dia a dia.

Tempo conectado à internet sobe 11 anos em quatro anos

O crescimento no tempo de conexão foi acelerado. Em um levantamento semelhante feito em 2022, a média do brasileiro na internet era de 41 anos, três meses e 13 dias. Ou seja, em um intervalo de quatro anos, houve um aumento de mais de 11 anos no tempo total que passamos conectados.

Atualmente, das 116 horas semanais que o cidadão passa online, aproximadamente 42 horas são dedicadas ao consumo de entretenimento. A novidade no cenário digital é a forte inserção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no cotidiano:

  • 32% dos entrevistados já consideram que as ferramentas de IA fazem parte de sua rotina.

  • 42% afirmam que a tecnologia melhorou a experiência online.

Usuários relatam que a IA otimiza tarefas diárias, desde a calibragem de treinos físicos até o preenchimento da declaração do Imposto de Renda, facilitando buscas e categorizando informações de maneira mais ágil do que os buscadores tradicionais.

IA muda radicalmente as buscas na internet e o comportamento

Especialistas em antropologia digital apontam que a IA passou a integrar o entretenimento e a rotina devido à evolução de sua linguagem. A interação em português e por comandos de voz torna o diálogo mais natural, transformando uma dúvida simples em uma conversa contínua. A tecnologia passou a ser consultada para resolver desde problemas práticos no trabalho até dilemas de relacionamentos.

“Se a pessoa tem uma dúvida sobre algo, ela pode ir ao Google, mas a busca tende a ser mais demorada, já as pesquisas feitas com IA trazem a informação de forma resumida”, avalia Diogo Cortiz, doutor em antropologia digital e professor da PUC-SP.

Riscos de privacidade, segurança digital e dados expostos

Com tanta exposição, os riscos associados à segurança digital também cresceram. O estudo da NordVPN acendeu um alerta sobre a quantidade de dados pessoais compartilhados de forma explícita na internet:

  • 82% dos brasileiros já divulgaram o nome completo online.

  • 78% compartilharam a data de nascimento.

  • 63% forneceram o endereço residencial a plataformas digitais.

Especialistas alertam que a proteção atual vai além de criar senhas fortes; exige entender como os dados são processados pelos sistemas de inteligência artificial. Diferente das redes sociais, que coletam sinais comportamentais indiretos (como curtidas e compartilhamentos), os usuários fornecem dados íntimos e explícitos aos chatbots de IA — relatando sentimentos e rotinas —, o que se tornou um ativo valioso para empresas de tecnologia. O receio já atinge o público: 37% dos entrevistados temem que seus dados estejam disponíveis online sem autorização, e 21% já se arrependeram de compartilhar informações na rede.

Impacto do excesso de telas nas relações humanas e na psicologia

A consolidação desse estilo de vida hiperconectado foi impulsionada pela pandemia, que mudou a relação de confiança com as ferramentas digitais devido ao conforto e praticidade. No entanto, a psicologia acende um alerta para os impactos do excesso de tempo online no desenvolvimento de habilidades sociais.

De acordo com Andreia Schmidt, professora de psicologia da USP e conselheira da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), passar horas diante de celulares ou televisores pode prejudicar o aprendizado de demandas sociais no mundo real, tanto em crianças quanto em adultos. A questão central, segundo a especialista, migrou da quantidade para a qualidade desse tempo: em um cenário onde se passa mais de oito horas diárias em frente às telas, resta saber se o contato com a tecnologia simula relacionamentos reais ou se funciona como um afastamento perigoso das conexões humanas genuínas.

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