O Azeite Altoé, produzido nas Montanhas Capixabas, em Venda Nova do Imigrante, somou duas novas medalhas de ouro ao currículo internacional da marca. O reconhecimento veio do EVO International Olive Oil Contest (EVO IOOC Itália 2026), um dos concursos de azeite extravirgem mais relevantes do mundo, realizado na Calábria, sul da Itália. As premiações foram concedidas ao Blend Altoé e ao Koroneiki, este na categoria Monovarietal — resultado que eleva a marca a 11 medalhas internacionais, somadas em concursos na Turquia, Inglaterra, Japão e Itália.
O EVO IOOC avalia os azeites inscritos por meio de um painel internacional de especialistas, seguindo critérios técnicos e sensoriais definidos pelo Conselho Oleícola Internacional. O concurso integra o ranking mundial da olivicultura e é referência para distribuidores, importadores, chefs e compradores internacionais — uma vitrine comercial que amplia o potencial de inserção da marca capixaba em mercados consumidores fora do Brasil.
O que a premiação representa para a economia capixaba
Premiações como as do Altoé têm peso que vai além do reconhecimento simbólico: funcionam como selo de qualidade que pode acelerar a abertura de mercados. O Brasil é hoje o segundo maior consumidor mundial de azeite de oliva, mas produz menos de 1% do que consome — a quase totalidade do volume vendido no país é importada, segundo dados do Incaper. Esse descompasso entre demanda e produção nacional é justamente o que abre espaço para marcas regionais emergentes, como o Altoé, ganharem visibilidade comercial a partir de conquistas internacionais.
Quanto o Espírito Santo produz hoje
Apesar do destaque internacional, a olivicultura capixaba ainda é uma atividade em estágio inicial de consolidação. Segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Estado conta atualmente com cerca de 300 hectares de área plantada com oliveiras, envolvendo entre 150 e 180 produtores distribuídos em cerca de 17 a 20 municípios da região serrana e do Caparaó. A produtividade ainda é baixa: levantamento da Pesquisa Pecuária Municipal (PAM/IBGE) de 2022 registrou produtividade média de apenas 200 quilos de azeitona por hectare no Estado. Atualmente, o Espírito Santo já reúne seis marcas de azeite extravirgem genuinamente capixabas, entre elas o Altoé.
“Em um ano sem frio, o Espírito Santo não consegue produzir. Em um ano com frio, produz. A qualidade pode ser tão boa quanto a de qualquer outro azeite do Brasil ou do mundo, mas a quantidade ainda depende de muita pesquisa, adaptação e técnicas de plantio.” Leonardo Brioschi Altoé, produtor do Azeite Altoé, em entrevista anterior ao ES Hoje
Exportação ainda não consolidada, mas mercado aposta na expansão
Não há registro público de exportações consolidadas do Azeite Altoé até o momento — a presença internacional da marca, até aqui, se dá por meio da participação em concursos, não da venda direta do produto no exterior. O movimento, no entanto, segue uma trajetória observada em outros polos olivícolas do país: estados como o Rio Grande do Sul, hoje líder nacional em produção de azeite, levaram anos para sair do consumo doméstico e iniciar a estruturação de exportações. No caso capixaba, o caminho mais imediato de expansão tende a passar primeiro pela ampliação da área plantada e pela profissionalização da colheita — hoje feita de forma manual, devido ao relevo acidentado da região serrana, o que dificulta a mecanização e limita o volume processado por safra.
O potencial de crescimento, segundo o Incaper, é considerado alto: a demanda por azeite extravirgem nacional é elevada e a região serrana do Espírito Santo apresenta condições edafoclimáticas semelhantes às de polos já consolidados, como a Serra da Mantiqueira mineira. Iniciativas como a fábrica coletiva de processamento em Santa Teresa, com capacidade para 100 quilos de azeitona por hora e construída com investimento público de cerca de R$ 597 mil, miram justamente reduzir o principal gargalo do setor: a falta de estrutura de processamento acessível aos pequenos produtores, que hoje dependem majoritariamente da Associação dos Olivicultores do Espírito Santo (Olives) para extrair o azeite.
O que isso movimenta no mercado capixaba
Além do valor direto da produção, a olivicultura tem sido apontada pelo Incaper como vetor de diversificação de renda para produtores rurais da região serrana — tradicionalmente dependente de culturas como café e olericultura — e como alavanca para o agroturismo, com visitas a propriedades e degustações ganhando espaço no roteiro turístico das Montanhas Capixabas. Para a cadeia produtiva local, cada nova premiação internacional do Altoé funciona como marketing indireto gratuito para o destino, reforçando a associação entre a região serrana, gastronomia de qualidade e produtos de origem capixaba — características já exploradas comercialmente por outros segmentos do turismo rural do Estado.
Com os dois novos ouros conquistados na Itália, o Altoé se mantém como o único azeite do Espírito Santo com reconhecimento relevante em concursos internacionais. O próximo passo da estratégia de internacionalização da marca prevê participação em competições no continente americano — movimento que, somado aos investimentos em estrutura de processamento e expansão de área plantada no Estado, deve ser observado de perto pelo mercado como termômetro de um setor ainda pequeno, mas com potencial de se tornar um novo nicho de exportação capixaba nos próximos anos.










