A forte presença de Renato Casagrande no governo do Estado

Renato Casagrande (PSB) renunciou ao governo do Estado no início de abril para estar apto à disputa pelo Senado. Mas sua presença segue fortíssima, e há até desavisados que ainda acreditam que ele continua à frente do Palácio Anchieta.

Presença I

Não por acaso, pesquisas, como a do Instituto Perfil, publicada por ES Hoje, mostram o socialista no topo das intenções espontâneas de voto para o governo, mesmo ele não podendo disputar o cargo, já que estaria impedido de exercer um terceiro mandato consecutivo.

Presença II

Apesar da renúncia, Casagrande continua presente em eventos ao lado do governador Ricardo Ferraço (MDB), seu candidato na disputa pelo Palácio Anchieta.

Presença III

Em uma rápida análise dos registros de voo da Secretaria da Casa Militar, entre abril e a primeira quinzena de junho, Casagrande utilizou os helicópteros do governo em 13 dias.

Presença IV

Desse total, sete dias foram somente na primeira quinzena de junho, o que demonstra que ele também segue prestando contas do que realizou enquanto esteve à frente da gestão.

Presença V

Claro que não há ilegalidade no transporte. Ricardo, como chefe do Executivo estadual, pode transportar quem desejar. Mas há, evidentemente, um privilégio ao dar protagonismo ao seu antecessor.

Presença VI

Essa presença constante de Casagrande, segundo interlocutores, é uma forma de reforçar seu capital político e ampliar a possibilidade de transferência de votos para Ricardo.

Presença VII

A eleição para o Palácio Anchieta se desenha como bastante equilibrada, tendo o emedebista como principal adversário o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Presença VIII

O interior tende a ser decisivo nessa disputa, o que tem levado o grupo que comanda o Palácio Anchieta a pulverizar agendas e aproveitar o período permitido para inaugurações até o último minuto.

Presença IX

Casagrande sabe que apenas uma “tragédia” o tira da primeira vaga ao Senado. Mas também tem dimensão de que uma eventual derrota de Ricardo, mesmo com a máquina na mão, representaria o ressurgimento do pesadelo de 2014 — cenário que o grupo pretende evitar a qualquer custo.

Presença X

Assim, manter Casagrande por perto é uma necessidade política, inclusive para aglutinar o grupo para o embate que se aproxima. Uma vitória expressiva de Ricardo também significa proteger o legado construído pelo socialista ao longo de seus mandatos.

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