Depois de trocar a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), Gustavo Emílio Ferri Adriano, de 24 anos, conhecido como “Alemão”, foi executado com 17 tiros no bairro Balneário de Carapebus, na Serra. O crime ocorreu em 20 de outubro de 2025 e, segundo a Polícia Civil, foi motivado pela disputa territorial entre facções rivais que atuam na região.
Os apontados como autores do homicídio são André Makalle Falcão dos Santos, de 27 anos, conhecido como “Makalle”, apontado como líder do TCP no bairro, e Felipe Pereira da Silva, de 21 anos, conhecido como “Menor FP” ou “Menor 90”. Ambos foram presos durante as investigações.
André foi capturado em dezembro de 2025, durante uma operação na zona rural de Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo. Já Felipe foi localizado e preso em fevereiro deste ano, no estado de São Paulo.
Guerra entre facções deixou 23 ataques em três meses
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, a divulgação do caso está relacionada à série de crimes registrados em Balneário de Carapebus entre agosto e outubro de 2025.
Segundo ele, no período foram contabilizados 11 homicídios consumados e 12 tentativas de assassinato, todos ligados à disputa entre o TCP e o PCV pelo controle do tráfico de drogas na região.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra e resultou na prisão de integrantes considerados estratégicos das duas organizações criminosas.
“A equipe conseguiu prender uma das lideranças do TCP, que participava diretamente dos ataques e disputas territoriais. Foi uma investigação complexa, que exigiu inclusive atuação interestadual”, afirmou Jordano Bruno.
O delegado destacou ainda que criminosos envolvidos em homicídios passam a ser prioridade nas ações da Polícia Civil.

Principal liderança do TCP no bairro
O chefe da DHPP da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, afirmou que André Makalle já era conhecido das forças de segurança desde 2016 e possuía condenações por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Segundo o delegado, ele era a principal liderança do TCP em Balneário de Carapebus durante o período da guerra entre facções.
“Além de liderar o grupo criminoso, ele participou diretamente da execução de Gustavo Ferri”, afirmou.
Rodrigo Mori destacou ainda que as investigações atingiram integrantes dos dois lados da disputa. Entre os presos estão lideranças do TCP e do PCV, incluindo criminosos capturados em outros estados.
Vítima foi recrutada pelo PCV
As investigações apontam que Gustavo Ferri já havia integrado o TCP no passado, mas estava afastado do tráfico. Em 2025, ele passou a ser aliciado pelo PCV para retornar à atividade criminosa e assumir um ponto de venda de drogas na região.
Segundo o delegado-adjunto da DHPP da Serra, Paulo Ricardo Gomes, Balneário de Carapebus era considerado um território estratégico para o avanço do PCV, embora ainda estivesse sob domínio do TCP.
No dia do crime, Gustavo participou de ações para marcar a presença da facção rival no bairro, realizando pichações com referências ao PCV em muros, postes e outros locais da comunidade.
Enquanto realizavam diligências na região, policiais civis chegaram a flagrar suspeitos armados circulando de motocicleta e encontraram materiais utilizados nas pichações. No entanto, não foi possível efetuar a prisão naquele momento.
Pouco tempo depois, a equipe tomou conhecimento da execução de Gustavo.

Execução ocorreu após descoberta das pichações
De acordo com a investigação, André Makalle e Felipe Pereira estavam procurando o responsável pelas inscrições feitas em apoio ao PCV quando encontraram Gustavo em um local conhecido como Jamelão, área marcada pela disputa territorial.
A vítima foi abordada e questionada sobre as pichações. Ao tentar fugir, foi atingida pelo primeiro disparo e caiu no chão. Em seguida, outros 16 tiros foram efetuados.
Gustavo morreu no local.
A Polícia Civil representou pela prisão dos suspeitos ainda em novembro de 2025. Um mês depois, André Makalle foi localizado em Conceição da Barra graças ao trabalho de inteligência da corporação.
Durante a prisão, os investigadores apreenderam o celular do suspeito, que continha informações consideradas importantes para o esclarecimento de outros crimes ocorridos na região.

Celular ajudou a esclarecer duplo homicídio
Segundo a Polícia Civil, o aparelho apreendido com Makalle revelou detalhes não apenas da morte de Gustavo, mas também de um duplo homicídio registrado dez dias depois no mesmo bairro.
No dia 3 de novembro de 2025, o casal Bruno e Alessandra foi assassinado dentro de casa, na mesma rua onde Gustavo havia sido executado.
As investigações apontam que André Makalle teria ordenado o ataque. Mensagens encontradas pela polícia mostram que um integrante da facção enviou imagens da residência das vítimas ao criminoso horas antes do assassinato.
O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), já que uma das vítimas era mulher.
De acordo com a Polícia Civil, o casal não possuía envolvimento com atividades criminosas e foi morto por engano.
André Makalle Falcão dos Santos e Felipe Pereira da Silva permanecem presos. O Ministério Público já ofereceu denúncia contra ambos, que responderão por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.











