O ataque hacker ao sistema da Defesa Civil que assustou moradores de diversas cidades na madrugada deste sábado (20) foi mais ampla do que se imaginava inicialmente. Segundo o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, os criminosos conseguiram disparar 10 mensagens falsas, alcançando milhões de brasileiros antes que a plataforma fosse desativada.
Do total de notificações, nove foram enviadas pelo sistema Cell Broadcast, implantado em 2025 para alertas de emergência, enquanto uma utilizou a antiga plataforma de SMS, substituída no ano passado.
Além do tradicional aviso sonoro, as mensagens exibiam expressões como “misantropia” e “invasão alienígena”, provocando surpresa e confusão entre usuários em diferentes regiões do país.
PF tenta descobrir origem da invasão
Em entrevista coletiva, Wolff informou que a investigação conduzida pela Polícia Federal, em conjunto com a equipe técnica da Defesa Civil, busca esclarecer se a ação criminosa foi praticada por uma única pessoa ou por um grupo organizado.
Segundo ele, o primeiro disparo teria sido realizado a partir do Paraná. Mesmo após o bloqueio inicial do acesso comprometido, novas mensagens ainda conseguiram ser enviadas, o que demonstra a complexidade do ataque.
Até o momento, o local exato de onde partiram todas as notificações ainda não foi identificado.
Ataque expõe desafio da segurança digital
Questionado sobre a confiabilidade de um sistema criado para alertar a população em situações reais de desastre, o secretário afirmou que o fortalecimento da segurança digital já vinha sendo tratado pela equipe técnica desde o ano passado.
Ele ressaltou que ataques contra sistemas públicos não são inéditos, mas classificou a ação como um grave desserviço, justamente por comprometer uma ferramenta destinada à proteção da população.
De acordo com Wolff, a invasão também servirá para identificar vulnerabilidades e aperfeiçoar os mecanismos de defesa da plataforma.
“O que ocorreu será analisado detalhadamente para entendermos como os invasores conseguiram superar as barreiras de segurança e impedir que episódios semelhantes se repitam”, afirmou.
“Misantropia” dispara nas buscas
Um dos efeitos inesperados do ataque foi o aumento do interesse pela palavra “misantropia”, que apareceu em parte das mensagens falsas e passou a figurar entre os termos mais pesquisados no Google.
Segundo o Dicionário Houaiss, o termo significa aversão ou ódio à humanidade, além de poder estar relacionado à falta de sociabilidade e à melancolia.
O psicólogo Paulo Gomes explica, porém, que a misantropia não é considerada um transtorno mental e não integra classificações médicas como o CID ou o DSM.
Segundo ele, trata-se de uma característica ou postura que pode aparecer em diferentes pessoas, sem representar necessariamente uma doença psiquiátrica.
Sistema permanece fora do ar
Logo após identificar a invasão, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que desligou preventivamente a plataforma da Defesa Civil Alerta.
A Polícia Federal foi acionada para investigar a autoria do ataque, e o sistema somente voltará a funcionar quando todas as condições de segurança digital forem restabelecidas.









