Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

ECA Digital: o que muda na prática para nossos filhos (e para nós, pais)

Entrou em vigor recentemente a chamada “Lei do ECA Digital”, que traz novas regras sobre o uso de celulares no ambiente escolar. E, mais do que uma lei, ela vem como um alerta importante para todos nós: nossos filhos estão cada vez mais conectados… e cada vez menos presentes.

Mas, na prática, o que muda?

Agora, as escolas passam a ter mais respaldo para limitar o uso de celulares durante o período escolar, inclusive no recreio. E isso não é exagero. É cuidado.

E, sinceramente, essa mudança chega em boa hora. Quem convive com crianças percebe: muitas já não sabem mais o que fazer sem o celular. O recreio, que antes era barulho, corrida, troca, hoje muitas vezes virou silêncio… cada um no seu mundo. E isso não é só uma percepção nossa. A ciência já vem mostrando esses impactos há algum tempo.

Estudos indicam que o uso excessivo de telas pode trazer prejuízos importantes no desenvolvimento infantil, como dificuldade de atenção, problemas de sono, atrasos na linguagem e dificuldades na interação social. Além disso, pesquisas mostram que crianças com muito tempo de tela têm maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e irritabilidade, além de queda no rendimento escolar.

E tem um ponto que eu sempre falo muito: o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento. Ele precisa de interação, de brincar, de se frustrar, de esperar… e a tela oferece tudo ao contrário: rapidez, estímulo constante e recompensa imediata.

Por isso, não é só sobre tirar o celular da escola. É sobre devolver a infância para as crianças. Mas aqui entra um ponto importante: não adianta a escola limitar… e em casa tudo continuar igual.

Essa lei também é um convite para nós, pais. Então, o que podemos fazer na prática?

-Converse com seu filho sobre o porquê da regra, não como castigo, mas como cuidado
-Crie limites também dentro de casa (coerência é tudo)
-Observe sinais de alerta: irritação excessiva, dificuldade de ficar sem tela, isolamento
-Ofereça alternativas reais: jogos, natureza, convivência
-E, se necessário, busque ajuda profissional

Porque quando a criança entra em crise ao ficar sem o celular, isso já não é só birra. É um sinal de que algo precisa ser olhado.

Eu sei que não é fácil. Muitas vezes o celular vira um respiro no meio do cansaço. Mas precisamos ter clareza: educar dá trabalho, mas compensa. Essa lei vem nos lembrar de algo essencial: criança precisa viver o mundo real.

E agora eu te faço uma pergunta: qual tem sido o seu maior desafio na criação do seu filho hoje?

Talvez a resposta para isso seja também o caminho para as mudanças que precisam começar dentro de casa. Porque, no fim, não é sobre o celular… é sobre o tipo de infância que estamos construindo. E como eu sempre digo: mentes saudáveis criam um mundo melhor.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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