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Fies abre inscrições; veja como funciona o financiamento

O MEC (Ministério da Educação) abre nesta terça-feira (3) as inscrições do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) do primeiro semestre de 2026.

O programa do governo federal oferece financiamento com juros zero para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos por pessoa. O pagamento do valor financiado tem início após a conclusão do curso, com parcelas ajustadas à renda do aluno.
Para se inscrever no Fies, os interessados devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior até a próxima sexta-feira (6). O resultado do processo será divulgado no dia 19 de fevereiro.

São aptos a participar do processo os candidatos que tenham obtido notas do Enem a partir da edição de 2010 igual ou superior a 450 pontos nas quatro áreas do conhecimento e que não tenham zerado a redação. Além disso, os interessados precisam ter renda familiar mensal bruta per capita de até três salários mínimos (R$ 4.863).

Metade das vagas será reservada para candidatos do Fies Social. Para participar dessa faixa de benefício, o estudante deve ter renda familiar de até meio salário mínimo (R$ 810,50) e ser inscrito no CadÚnico (cadastro único dos programas sociais do governo federal).

O QUE CONSIDERAR ANTES DE CONTRATAR O FIES?
Para auxiliar os candidatos interessados em participar do programa, a reportagem conversou com Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, que reuniu dicas antes da decisão.

PENSE NO PROPÓSITO E NO POTENCIAL DO CURSO
Antes de recorrer ao financiamento estudantil, a principal avaliação não está nos números, mas no propósito. De acordo com a Inhasz, o estudante precisa refletir se o curso escolhido está alinhado ao seu projeto de vida e às metas profissionais de longo prazo.

“Não adianta financiar um curso qualquer. Se eu queria engenharia e passei para pedagogia, mas não é o meu plano de vida, talvez eu tenha que repensar essa escolha para conseguir aproveitar o financiamento”, orienta a economista.

Outros fatores devem pesar na escolha. Entre eles, a empregabilidade e a demanda do mercado de trabalho, as perspectivas salariais da profissão, além da taxa de evasão e da qualidade do curso na universidade escolhida.

“Quando a instituição não oferece boa formação ou o curso tem baixa valorização no mercado, o retorno financeiro após a formatura tende a ser limitado, o que torna o investimento pouco vantajoso.”

PESQUISE E FAÇA SIMULAÇÕES
Um dos erros comuns entre os candidatos é concentrar a decisão apenas na vantagem imediata de não pagar a mensalidade durante o curso. Inhasz alerta que é fundamental analisar o valor total da dívida e o prazo de quitação. Mesmo nas modalidades com juros subsidiados, o custo final do financiamento tende a crescer ao longo do tempo.
Diante desse cenário, a recomendação é objetiva: fazer simulações antes de assinar o contrato.

“O estudante precisa projetar quanto deve ganhar depois de formado e comparar com o tamanho da parcela do financiamento. Muita gente contrata sem fazer essa conta e esquece que terá que pagar lá na frente. É aí que mora o risco”, alerta.

Uma dica é evitar, sempre que possível, financiar 100% do valor. De acordo com a professora, o financiamento total impõe um “estresse financeiro muito grande” logo após a formatura.

LEIA COM ATENÇÃO AS CONDIÇÕES DO FINANCIAMENTO
No momento da assinatura, o cuidado deve ser redobrado. A professora do Insper ressalta que a leitura atenta do contrato é indispensável, especialmente das cláusulas que costumam passar despercebidas pelos estudantes.
Entre os pontos importantes estão:
– início da amortização da dívida
– penalidades em caso de atraso
– encargos aplicados
– condições para eventual renegociação

“Pode parecer óbvio, mas muita gente simplesmente ignora essas informações e assina sem analisar. Não se trata de deixar de contratar por causa das multas ou dos encargos, mas de ter plena consciência do compromisso assumido”, afirma.

O FINANCIAMENTO É UM COMPROMISSO DE LONGO PRAZO
Um outro ponto de atenção é imaginar que o compromisso com o Fies termina após a matrícula. O financiamento exige acompanhamento contínuo ao longo de toda a graduação.
Alterações na renda familiar, o trancamento do curso ou a decisão de mudar de instituição, ou de área de formação, implicam ajustes contratuais que precisam ser feitos de forma imediata para evitar irregularidades e acúmulo de pendências.

“Quando o estudante conhece as regras e monitora o financiamento ao longo do tempo, consegue evitar problemas lá na frente.”

CALENDÁRIO FIES 2026 – 1º SEMESTRE
– Período de inscrições: até 6 de fevereiro
– Resultado da pré-seleção: 19 de fevereiro

Por Lucas Leite – São Paulo, FolhaPress

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