O Brasil vive um paradoxo cruel. De um lado, a população demonstra fadiga. Pesquisa Genial/Quaest de junho mostra que 66% dos eleitores não querem Lula candidato à reeleição e 65% rejeitam Bolsonaro. De outro, quando perguntados sobre identidade política, 76% dos brasileiros se declaram lulistas ou bolsonaristas (Datafolha, julho de 2025). É como se estivéssemos presos a um falso dilema: não suportamos mais a guerra, mas seguimos vivendo nela.
Winston Churchill dizia que “a política é quase tão excitante quanto a guerra, e não menos perigosa”. O Brasil parece aludir ao pensamento do líder britânico. O que deveria ser debate sobre projetos se transformou em trincheira, onde cada lado só sobrevive apontando o dedo para o inimigo.
Ao governo Lula interessa manter esse maniqueísmo vivo. Ao bolsonarismo interessa, igualmente, garantir que é dona dos votos da direita. É a lógica da guerra fria: quando o adversário é visto como um perigo absoluto, a base se une, críticas internas se silenciam, e qualquer alternativa perde espaço. O bolsonarismo serve, paradoxalmente, de cimento para o lulismo, que, embora ressalve constantemente os malefícios da polarização ao Brasil e aos brasileiros, faz questão de sustentar a disputa o quanto pode.
Mas a fatura chega. De acordo com a Quaest, 40% dizem ter “medo” de Lula e 45% têm medo de Bolsonaro. A política deixou de inspirar confiança e passou a produzir temores. O que antes era paixão virou ressentimento. Não à toa, pesquisa DataSenado (2024) revelou que 40% dos brasileiros não se identificam com nenhuma ideologia. É o retrato de um eleitor que não quer mais rótulos, só resultados.
“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, dizia Thomas Jefferson. No Brasil de hoje, a vigilância deveria ser contra a armadilha da polarização. Enquanto Lula e Bolsonaro se alimentam um do outro, a sociedade perde a chance de discutir soluções reais: educação de qualidade, saúde eficiente, segurança pública que funcione, empregos sustentáveis.
O país precisa escolher se continuará refém dessa luta de dois gigantes cansados ou se terá coragem de abrir espaço para novas lideranças.









