A Rodovia do Contorno, também conhecida como BR-101 Leste, emergiu como um ponto crítico de acidentes no Espírito Santo. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam um aumento preocupante nos sinistros: de janeiro a julho de 2025, a via já registrou 243 acidentes nos municípios de Serra, Cariacica e Viana, superando os 216 casos de todo o ano de 2024. Essa escalada acende um forte alerta sobre a necessidade imediata de intervenções eficazes.
Originalmente concebida para aliviar o tráfego pesado na Grande Vitória, especialmente de veículos de carga, a Rodovia do Contorno se consolidou como um eixo logístico vital, conectando importantes polos industriais e comerciais. Ela serve como rota essencial para o transporte de mercadorias entre as regiões Sudeste e Nordeste do Brasil. Contudo, a infraestrutura inadequada em muitos de seus trechos, caracterizada por curvas perigosas, falta de acostamento, iluminação deficiente e ausência de passarelas, transformou-a em um palco de riscos diários para motoristas e pedestres.
Segundo Waldir Soares, policial rodoviário federal e especialista em segurança viária, o maior entrave para a PRF na Rodovia do Contorno é o combate ao excesso de velocidade. “Apesar de ser uma via de pista dupla, ela está densamente cercada por bairros como André Carloni e Alphaville, além de diversas indústrias. Infelizmente, a rodovia não possui passarelas, o que obriga pedestres a atravessar a pista para acessar locais como Nova Rosa da Penha. Essa situação resulta em um alto número de atropelamentos”, explica Soares.
A ausência de infraestrutura segura para pedestres, somada à proximidade com terminais logísticos e grandes polos industriais como a Feira Internacional do Mármore e Granito (FIVIT), intensifica o volume de veículos pesados. “Essa rodovia é um verdadeiro corredor logístico. Há uma demanda enorme por transporte de produtos e matérias-primas, o que intensifica o tráfego de caminhões e carretas”, complementa o especialista.
Principais fatores
A PRF aponta os principais fatores que contribuem para os acidentes: excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, distração ao volante, cansaço dos motoristas e condições climáticas adversas, como chuva e neblina. Reações tardias ou manobras mal executadas, principalmente em mudanças de faixa, também são causas comuns.
Os trechos urbanos da rodovia são os mais perigosos. Nesses pontos, o tráfego intenso e a complexidade do ambiente elevam a frequência de colisões traseiras e laterais. A falta de barreiras físicas e a sinalização ineficaz agravam ainda mais o cenário.
Perigo da alta velocidade
A fiscalização de velocidade é realizada por radares fixos 24 horas por dia, complementada pelo patrulhamento ostensivo da PRF. No entanto, o imenso volume de veículos e a extensão da via dificultam uma cobertura totalmente efetiva. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) impõe penalidades rigorosas para infrações por velocidade, com multas que variam de R$ 130 a R$ 880. Em casos de infração gravíssima, o condutor pode ter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.
Waldir Soares reforça o perigo da alta velocidade: “O excesso de velocidade compromete a capacidade de reação do motorista diante de imprevistos, como outros veículos parados ou pedestres na pista. Também torna mais difícil manter o controle do carro em situações emergenciais, além de agravar os ferimentos em caso de colisão”.
Propostas para reduzir acidentes
Para reverter essa preocupante estatística, especialistas em segurança viária defendem uma abordagem multifacetada, que combine ações em infraestrutura, fiscalização, educação no trânsito e o uso estratégico de tecnologia. As propostas incluem:
Melhoria da Infraestrutura: É fundamental investir na manutenção contínua da via, além de realizar duplicações em trechos críticos. A instalação de passarelas seguras para pedestres, a modernização da iluminação e o reforço da sinalização são medidas urgentes para aumentar a segurança.
Fortalecimento da Fiscalização: A ampliação do número de radares e a instalação de redutores de velocidade são essenciais. Além disso, a implementação de câmeras de monitoramento avançadas pode auxiliar na identificação de infrações e no acompanhamento do fluxo de tráfego.
Educação para o Trânsito: Campanhas educativas contínuas são cruciais para conscientizar motoristas e pedestres sobre os riscos e a importância da prudência. Treinamentos específicos para motoristas profissionais, que operam veículos pesados na rodovia, e a inclusão do tema da segurança viária nas escolas podem formar uma nova geração de condutores mais responsáveis.
Leis mais rigorosas e tecnologia veicular: A aplicação efetiva de penalidades mais severas e o estímulo ao uso de tecnologias de segurança embarcadas nos veículos, como sistemas de alerta de colisão e frenagem automática, podem contribuir significativamente para a redução de acidentes.
Inovação tecnológica: A adoção de sistemas inteligentes de tráfego, que permitam a análise de dados em tempo real e a identificação automática de infrações, pode otimizar a gestão da rodovia e a resposta a incidentes.










