Vai curtir carnaval? Cuidado com o sexo! 6 mil capixabas têm Aids e não sabem

Gustavo Gouvêa – gustavo@eshoje.com.br

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Se você se encaixa neste perfil ou conhece alguém desse tipo, atenção: pelo menos 734 mil pessoas vivem com Aids no Brasil atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde. No Espírito Santo, a estimativa proporcional é que mais de 14 mil pessoas tenham a doença.
O mais grave é que, desta quantidade, apenas 54% procuram tratamento. Em números absolutos, isto representa 400 mil pessoas em todo o Brasil e cerca de 7.770 no Espírito Santo. Dos 46% que não procuram o tratamento para a doença, 20% sequer sabem que são portadores do vírus HIV e o restante não procura o tratamento.
Trazendo para números reais, 150 mil pessoas em todo o Brasil não sabem que têm a doença – cerca de 3 mil a cinco mil destes estão no Espírito Santo – e mais de três mil saibam que têm a doença, mas não procuram o tratamento adequado.
Isto significa que, só no Espírito Santo, a relação entre o número de pessoas que vivem com Aids e a população total é de um infectado para cada 272 pessoas. As chances de ser infectado pelo vírus HIV aumentam, é claro, caso não sejam usados métodos contraceptivos, como a popular camisinha.
E é justamente esta a causa maior da contaminação pelo vírus HIV no Espírito Santo. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Sandra Fagundes, a maioria dos casos de Aids no Estado ocorrem devido à transmissão sexual. A causa responde por 82,7% do total de casos.
No Brasil, o levantamento do Ministério da Saúde apontou ainda que o brasileiro se expõe ao risco da Aids e de outras DSTs, já que demonstrou que 45% dos brasileiros admitem ter relações sexuais sem o uso de camisinha.
Mortes
De acordo com levantamento feito pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) datado do ano de 2013, desde 1985, quando começou o monitoramento da doença no Estado, 2.266 pessoas morreram no Espírito Santo em decorrência da Aids.
A coordenadora Sandra Fagundes afirmou ainda que a Sesa estima que cerca de 530 novos casos da doença sejam contabilizados a cada ano no Estado. Apesar disso, do último levantamento feito pela secretaria, no fim de 2013, com relação a dados detectados em 2014, houve um acréscimo de 702 casos da doença, passando de 9.101 para 9.803, desde o ano de 1985. Isto significa que 23% das pessoas que tiveram aids no Espírito Santo, nos últimos 30 anos, morreram.
Os homens lideram as estatísticas em casos de Aids registradas pela Sesa acumulando 6.172 casos (62,9%). Já entre as mulheres os número chega a 3.631 casos (37,2%).
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Os jovens entre 15 e 24 anos são os que mais necessitam de maior atenção com relação à Aids. Isso porque este grupo foi o que apresentou o maior aumento de contaminações pelo vírus HIV, nos últimos oito anos, representando um acréscimo de 29% no número de casos, segundo o Ministério da Saúde.
De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV-Aids 2014, em 2006 foram notificados 3.139 casos de aids em jovens na faixa etária citada. Em 2013, foram registrados 4.414 casos da doença em pessoas do mesmo grupo etário. Em 2004, a taxa de detecção neste publico, que era de 9,6 por 100 mil habitantes, passou para 12,7 por 100 mil habitantes em 2013.
No Espírito Santo, de acordo com dados da Secretaria de Saúde relacionados ao serviço público, os jovens entre 14 e 24 anos representam atualmente 11,8% dos casos totais de Aids. Isto sem contar os que procuram meios privados para se prevenirem, os que não sabem que possuem a doença e os que não procuram tratamento.
Segundo a doutora Betina Moulin, ginecologista do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, a doença é de comportamento e é aí que está o grande problema do Carnaval para a proliferação do vírus, sobretudo entre os jovens.
“O problema do Carnaval é que as pessoas não se colocam no risco. Usa bebida alcoólica sem limites e se colocam no risco de assumir uma relação sexual sem camisinha”, disse a doutora Betina.
Ela explicou que a inconsequência, sobretudo entre os mais jovens, é explicada pela não vivência da epidemia da doença e a tratam simplesmente como uma doença crônica e curável. A maioria não têm noção do poder destrutivo da doença, que já levou muitos à morte.
“A aids é uma doença de comportamento. Essa faixa etária (entre 15 e 24 anos) é formada por pessoas que não vivenciaram o fantasma da doença, não viram pessoas famosas adoecerem e morrerem por decorrência da doença, como Cazuza, Renato Russo… Como, com o tratamento conseguimos conter o avanço da doença, a tratam como uma doença crônica. É como se tivessem perdendo o medo”, afirmou a ginecologista.
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A Sesa afirmou que entre os homens, houve um aumento na detecção de novos casos na ordem de 33,8%. Com relação a homens que fazem sexo com homens, a detecção de novos casos aumentou 68,2%. Para Sandra, os números indicam a banalização da doença entre o público jovem e a experiência demonstra a ocorrência de sexo sem proteção.
A disponibilizou 1,2 milhão de preservativos para todas as cidades capixabas no Carnaval 2015. Esse quantitativo corresponde ao dobro do que é fornecido aos municípios mensalmente e será usado na campanha de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids durante os dias de folia.
Sandra Fagundes lembra que a campanha deste ano em todo o país tem como foco a prevenção, combinando o estímulo ao uso da camisinha, a testagem após o sexo sem proteção e a busca por tratamento em caso de diagnóstico positivo.
Com o slogan “Eu me previno, eu me testo, eu me conheço. #partiuteste”, a campanha pretende atrair a atenção do público jovem, que tem se exposto cada vez mais às DSTs e à Aids pelo não uso do preservativo. “Assim como no restante do Brasil, a preocupação maior no Espírito Santo é com a faixa etária de 15 a 24 anos. Há dez anos, os casos de Aids nesse público no Estado correspondiam a 5,4% do total, e em 2013 passaram a representar 11,8%”, comenta a coordenadora.
Vale lembrar que o preservativo ainda é a maneira mais eficaz de prevenir não só a Aids, mas doenças como HPV, sífilis, clamídia, gonorreia e hepatite B, além de evitar a gravidez não programada.

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