Um espetáculo com 15 canções da tradição oral de várias partes do Brasil! Assim será o repertório da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos, que já ensaia para as apresentações em novembro deste ano. Foram selecionadas 16 pessoas com deficiência visual para fazerem parte do grupo que apresentará as músicas do repertório.
O resultado desse trabalho será apresentado no Sesc Glória, no Centro de Vitória, nos dias 23 e 24 de novembro. O espetáculo terá, ao todo, 15 canções com arranjos de vozes acompanhadas por um piano. A diversidade cultural brasileira está marcada no repertório construído a partir da pesquisa de campo realizada por Renata Mattar, que percorre o país inteiro registrando cantigas ancestrais.

O repertório é inédito e conta com canções de domínio público colhidas de Norte a Sul do Brasil, transmitidas de geração em geração e que acompanham atividades como o trabalho, as brincadeiras, o ninar e as festividades.
As apresentações da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos levarão ao público músicas escolhidas em diversos estados do Norte ao Sul do país, passando por vários ritmos e culturas, como o congo do Espírito Santo, o Coco de Tebei de Pernambuco e a Bata do Feijão do Maranhão. Através de canções, estão representados os povos originários Mehinako do Alto Xingu (MT) e os Guaranis da aldeia Marake’nã residentes do Rio de Janeiro, a comunidade quilombola Kalunga de Cavalcante (GO), os territórios de Angicos (RN) e Santo Antônio da Patrulha (RS); Serra Preta (BA), Vale do Jequitinhonha (MG) e Arapiraca (AL).
A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos é fruto de uma iniciativa da Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil) e da Cia Poéticas da Cena Contemporânea. As atividades são realizadas com o patrocínio da ES Gás e apoio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba.
O responsável pela seleção das 16 vozes foi o professor da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) Thomas Davison, que é maestro, regente e cantor. Entre os meses de junho e novembro, os escolhidos para compor o elenco participam dos ensaios e da preparação técnica para o espetáculo. Além disso, eles também recebem uma bolsa de R$ 400 por mês durante os seis meses de projeto.
Espetáculo
A encenadora, atriz e cineasta Rejane Arruda assume a direção cênica e Antonio Apolinário é o responsável pela direção de arte. Os arranjos de voz e piano ficam por conta da cantora e musicista Tarita de Souza. Para o espetáculo, será preparada a combinação do arranjo vocal com composições corporais executadas por atores da Cia Poéticas da Cena Contemporânea.
O Sesc Glória será o palco das três apresentações do espetáculo “Orquestra Brasileira de Cantores Cegos”, ainda este ano. A entrada será gratuita e duas apresentações serão destinadas a alunos das redes públicas desde o ensino fundamental até o médio e a Educação Para Jovens e Adultos, com oferta de ônibus para o transporte até o local do espetáculo.










