XICO-SA-600x337Um bate-papo sobre a leitura e a literatura como espelho do mundo contemporâneo. Esse é o objetivo do “Você é o que lê”, um encontro com três autores e representantes da atual cena literária, jornalística, artística e cultural brasileira: Gregorio Duvivier, Maria Ribeiro e Xico Sá, que ocorrerá na próxima quinta-feira (15), no Teatro Glória.

No evento, o trio compartilha com o público uma conversa descontraída em que tudo é incluído como literatura: redes sociais, correntes do WhatsApp, as cartas de amor e os ganhadores do prêmio Nobel. O que importa é o encantamento que um bom livro e boas histórias podem produzir. A ideia do projeto é atrair leitores fiéis e futuros leitores para uma abordagem da literatura como prazer e diversão.

O projeto nasceu em maio de 2016, em Salvador, e já passou por cidades como Brasília, Paraty, São Paulo e Rio de Janeiro, Aracaju, Santos, entre outras. Antes da chegada ao Espírito Santo, o Jornal ESHOJE conversou sobre o projeto com um dos participantes da roda de bate-papo, o jornalista e escritor Xico Sá:

ESHOJE – Como surgiu a ideia do projeto?
Xico Sá: A ideia do projeto foi de Evelyne Lessa, advogada e produtora cultural de Salvador. O objetivo é discutir –de forma livre e sem a chatice da obrigação escolar ou a solenidade acadêmica– o prazer da leitura. Esse é o quarto ano na estrada, depois de passar por livrarias, bares, teatros e escolas de todas as regiões do país. Levamos o nosso evento a shoppings e centros culturais da periferia, para todos os públicos e classes sociais.

ESHOJE – Qual a importância de um projeto como esse na atual conjuntura política do país?
Xico: Contribuímos com provocações literárias que ajudam a entender o momento careta e golpista que vivemos. Com humor, tentamos refletir, auxiliados pela plateia, sobre temas como censura nas artes, escola sem partido, liberdade de expressão, politicamente correto etc.

ESHOJE – O retorno do público sobre o projeto tem sido positivo? Em que sentido?
Xico: Sim, da Rocinha (Rio) à praça do Marco Zero (Recife), a resposta tem sido muito calorosa, participação ativíssima, com uma renovação da crença que a leitura muda a gente e o mundo, não é conversa fiada.

ESHOJE – O Brasil é um país formado por não leitores. As pessoas, no geral, consideram esse hábito chato, mas passam horas conectadas a redes sociais. Como incentivar e mostrar a elas a importância da leitura?
Xico: Não podemos ver as redes sociais ou a internet no geral como inimigos em relação à leitura mais aprofundada. Óbvio que roubam muito do nosso tempo e da concentração, mas ajudam, inclusive projetos de incentivo à leitura -como o nosso- a espalhar suas ideias e ter mais público. Nosso incentivo é mostrar que ler é também uma grande diversão, uma aventura do conhecimento capaz de transformar nossas histórias.

ESHOJE – A discussão atual sobre leitura passa por redes sociais, fake news e até pelo preço dos livros. Isso tem facilitado que as pessoas se afastem de coisas educativas?
Xico: O problema da falta de leitura é uma herança da tragédia do nosso sistema de educação. Basta ver o ministro que temos hoje na área para se ter uma ideia do país. No país de Darcy Ribeiro, meu Deus, ninguém merece um Mendoncinha polítiqueiro.

ESHOJE – Falando um pouco sobre fake news, as pessoas andam acreditando, por exemplo, que a Pablo Vittar vai estampar as notas de real. Discutem isso de uma maneira até absurda. As fake news tem impacto no processo literário?
Xico: Para o escritor de ficção, nesse país que parece saído das páginas de Gabriel Garcia Marquez ou Murilo Rubião, o fenômeno fake news é inspirador para contos e romances. Para o eleitor, porém, é um desastre, interfere diretamente no voto e gera uma confusão mental sem fim. Viva Pablo Vittar!

ESHOJE – Debater assuntos como feminismo, política, Lula, Bolsonaro, etc, sem brigar, é algo cada vez mais difícil. São assuntos sérios, que geram uma polaridade. Dá pra discuti-los com um humor crítico, sem perder o amigo?
Xico: Sim, anda complicado esse tipo de discussão. Ter um “amigo” racista ou homofóbico, por exemplo, pelo amor de Deus, também é dose, aí já estamos falando de crime, não apenas de opinião. Neste caso, não estaremos perdendo uma grande amizade, digamos assim. A receita para tempos de tamanha intolerância é tentar manter o humor e a paciência.

ESHOJE – Textões no Facebook são validos em meio a esse processo?
Xico: Sim, me deparo com textões excelentes, belas crônicas literárias. Sou louco por ti, textão.

ESHOJE – Leitura foi uma coisa que sempre te interessou?
Xico: Sim, desde a infância. Nasci em uma família da roça, pequenos agricultores do sertão do Cariri que estudaram pouco, não havia o hábito da leitura. Dei sorte de ter um professor -Geraldo Bilé-, logo nas primeiras sérias do primário, que me mostrou a grande aventura dos livros. Nunca mais parei.

ESHOJE – O que você anda lendo e indica?
Xico: Vou indicar um livro que é a bíblia dos cronistas e amantes do gênero: “Rubem Braga -200 crônicas escolhidas”. Em momentos pesados da vida, só Rubem Braga salva, viva este grande capixaba de Cachoeiro do Itapemirim!

SERVIÇO
O que é: Você é o que lê com Maria Ribeiro, Xico Sá e Gregório Duvivier
Onde: Teatro Glória (Av. Jerônimo Monteiro, 428 – Centro, Vitória)
Quando: dia 15 de março (quinta-feira)
Horário: 19h30
Ingressos esgotados.
É obrigatória a apresentação do ingresso para entrada no teatro.
Informações: (27) 9-9617-0016
Realização e produção: LC Produções Culturais e Rezende Comunicação

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