Cesar Herkenhoff

César Herkenhoff é pós-graduado em Psicanálise Clínica e em Criminologia, Política Criminal e Segurança Pública. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Bacharel em Teologia, Direito e Comunicação Social. Hipnólogo e membro da Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Iberoamericana de Hipnologia Condicionativa. Jornalista, radialista e publicitário. Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Trafegar em Vitória, seja de ônibus, automóvel, motocicleta, bicicleta ou mesmo a pé, se tornou uma aventura tão desafiadora quando subir à noite na favela da Rocinha numa viatura de polícia.

Lamentavelmente, no entanto, as autoridades continuam manifestando uma única preocupação: usar os agentes municipais de trânsito para aplicar multas indiscriminadamente, valendo-se do princípio da veracidade.

Os agentes de trânsito são vistos durante o horário comercial nas ruas e avenidas menos movimentadas aplicando multas em veículos estacionados de forma irregular, é verdade, mas fazem vista grossa para situações bem mais arriscadas.

Tirando o bairro de Jardim da Penha, onde há uma cultura dominante há pelo menos duas décadas, nos demais bairros da capital, atravessar a rua, mesmo com o sinal fechado e na faixa de pedestres, é quase uma tentativa de suicídio na hora do rush.

E o mais curioso é que exatamente nos horários de pico, onde o tráfego é muito mais intenso, os agentes de trânsito desaparecem de maneira inversamente proporcional.

Alguns gatos pingados ainda tentam estabelecer ordem no caos, mas indiscutivelmente organizar o sistema viário não parece ser uma das priodiades da gestão do prefeito Luciano Rezende.

O que dizer então dos motociclistas, essa categoria com vocação homicida e suicida, que trafega com absoluta liberdade, como se fossem as bigas do antigo império romano.     E o mais grave: estima-se que pelo menos 20% dos condutores não têm habilitação.

Ônibus são uma categoria à parte. Motoristas estressados, despreparados e peritos em direção ofensiva.

E aí caímos na escório, comaçando pelos ciclistas que, por necessidade de sobrevivência, são obrigados a disputar espaço com pedestres, na calçada, porque nossas ciclovias desaparecem do nada, no meio do percurso, como se fossem obras financiadas com recursos do Petrolão.

E na rabeira, os pedestres que, segundo todos os manuais de educação para o trânsito, são prioridade absoluta. Prioridade para atropelamento, seguramente.

Tenho me aventurado diariamente a percorrer bairros da zona norte e o centro da cidade, a pé ou de bicicleta. Tirando os trechos onde há a ciclovia, cada viagem é uma aventura. Voltar pra casa ser atropelado é um desafio.

São cerca de 30 acidentes por dia envolvendo ciclistas, quase todos causados por imprudência dos motoristas de ônibus e automóveis.

Enquanto não se mudar essa postura hipócrita de que a preocupação é com a segurança do cidadão e não com a arrecadação de impostos, os agentes de transito vão continuar canetando e guinchando, até porque e sabido por todas as autoridades do setor que para cada veículo guinchado há uma generosa contrapartida.

Segurança no trânsito é como segurança pública: os agentes têm de estar onde a incidência de acidentes é maior, disciplinando o tráfego.

Só que multar carros estacionados em ruas e becos de vias secundárias é mais cômodo e mais lucrativo.

A vida humana é só um detalhe.

Portanto, toda vez que você ouvir a sirene da polícia ou de uma ambulância saia da frente, porque é a você que eles querem atropelar.Sinal 2

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