Autoridades da Venezuela prenderam 11 executivos do Banesco, o maior banco privado do país, no âmbito da operação Mãos de Papel, uma investigação sobre suspeitas de manipulação da moeda venezuelana. O vizinho sul-americano sofre com uma vertiginosa inflação que em abril, de acordo com a Assembleia Nacional de maioria opositora, chegou a mais de 8.000% em 12 meses.

O procurador-geral da Venezuela, general Tarek William Saab, disse que recaem sobre os executivos suspeitas de irregularidades que teriam depreciado o bolívar venezuelano. Ele descreveu a operação contra os banqueiros como “cirúrgica”.

Investigadores teriam descoberto ligações entre um grande número de contas suspeitas no Banesco e endereços na Colômbia e no Panamá. Em outras ocasiões, autoridades haviam acusado uma rede criminosa de contrabandear bolívares pela fronteira para manipular a taxa de câmbio do mercado negro.

O presidente-executivo do banco, Oscar Doval Garcia, é um dos detidos. A ação venezuelana foi criticada pelo presidente do Banesco Internacional, Juan Carlos Escotet, que não estava entre os executivos presos.

“A forma como isso tem sido tratado é desproporcional”, afirmou Escotet no Twitter, acrescentando que a instituição financeira que ele comanda cumpre todas as regulações bancárias na Venezuela.

As prisões fazem parte de uma operação para, alegadamente, derrubar uma rede internacional acusada de manipular a taxa de câmbio do mercado negro, cuja valorização para o dólar é mais de 10 vezes maior que a taxa de câmbio oficial em Caracas.

A investigação já fez 134 prisões e levou ao congelamento de quase 1,4 mil contas bancárias, a maioria registrada no Banesco. (Associated Press)

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