O gerente-executivo de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão da Vale, Lúcio Cavalli, disse que a companhia contratou um “painel de especialistas” para apurar as causas do rompimento da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. Em entrevista coletiva realizada na sede da companhia, após a divulgação de um relatório e de um documento interno da empresa que mostra que a barragem de Brumadinho e outras cinco estruturas semelhantes ofereciam risco, Cavalli afirmou que ainda não é possível precisar em quanto tempo eles terão uma definição, mas que fazer “especulações nesse momento é muito perigoso”.

Cavalli disse que a apresentação e o relatório anexados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na Ação Civil Pública (ACP), cujo sigilo foi derrubado nesta terça-feira, 12, aborda “fatores probabilísticos” e não “determinantes” como as análises da consultoria alemã Tüv Süd. Segundo ele, o relatório da Tüv Süd de setembro de 2018 indicava que fator de segurança da estrutura era adequado.

O gerente-executivo explicou que a consultoria alemã esteve em campo no dia 23 de janeiro, dois dias antes da tragédia, e emitiu um relatório que não indicava nenhum tipo de instabilidade. Em relação ao relatório da empresa de setembro de 2018, ele garantiu que oito das 17 recomendações já haviam sido concluídas e nove estavam em andamento.

O executivo frisou que a estrutura, além de não ter risco iminente, não teve aumento de nível (de água). Para ele, a avaliação de que a barragem estava em zona de atenção, conforme indicam tanto o relatório da Tüv Süd quanto a apresentação interna divulgada hoje pela justiça de Minas Gerais, significa que a empresa deveria dar sequência às ações que estavam sendo tomadas: dar continuidade à drenagem de água e à descaracterização (descomissionamento).

Workshop técnico

O diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani Pires, disse que apenas na segunda-feira, 11, tomou conhecimento do workshop técnico realizado na companhia em outubro do ano passado para discutir a situação das barragens em Minas Gerais. Uma apresentação produzida para esse evento se tornou pública nesta terça-feira, 12, com a quebra do sigilo da Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a empresa.

Na entrevista coletiva organizada pela empresa, Siani, que estava bastante abatido, contestou a avaliação contida no documento de que a situação de um conjunto crítico de barragens deveria ser reportada à alta direção da companhia. Segundo ele, existe muita controvérsia em relação a avaliação de passar informações para escalões superiores (e mesmo a alguns níveis técnicos) sobre tais riscos, para que os níveis hierárquicos inferiores tenham liberdade para tomar as medidas emergenciais necessárias.

De acordo com o diretor, o workshop incluiu um painel de especialistas internacionais e, na avaliação desses especialistas, a política de alertas da Vale era adequada. “Em 2017, especialistas sugeriram necessidade de reportar informações à alta administração, mas em 2018 reconheceram a dificuldade de atender essa exigência em grandes organizações”, disse negando a avaliação contida na apresentação de que essa política de notificação estaria em vigor na mineradora.

Siani informou que a Vale continua colaborando com as investigações e contratou outro painel de especialistas internacionais para investigar as causas do rompimento da barragem. Para ele, a narrativa de que os níveis de água aumentaram e deveriam ter disparado o alerta não é sustentável.

Renata Batista
Estadao Conteudo
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