A América Latina é riquíssima. Mas seu povo é pobre. A África é riquíssima. Mas seu povo é pobre. O sul da Ásia é riquíssimo. Mas seu povo é pobre. A pergunta é: o que há de comum entre estas três regiões? A linha do Equador.

                  E que tem o Equador a ver com a pobreza? Muito: de acordo com diversos estudos da ONU, o solo das regiões equatoriais é pobre em nutrientes essenciais à saúde, tais como selênio, zinco, cálcio, ferro, magnésio, etc.

                  Esta pobreza de minerais do solo influencia toda a cadeia alimentar. Ou seja, nossos alimentos têm menos nutrientes do que deveriam.

                  Por causa disso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, um brasileiro médio não supre sequer um terço das necessidades mínimas recomendadas de vitaminas e sais minerais.

                  Aos números: consumimos, diariamente, 0,83 mg de ferro (o mínimo recomendado é 10 mg), 45 mg de magnésio (o mínimo recomendado é 270 mg), 8,01 mg de zinco (o mínimo recomendado é 15 mg) e 75 mg de cálcio (o mínimo recomendado é 800 mg).

Aqui mesmo, no Espírito Santo, 35% a 40% da população apresenta deficiência de ferro no organismo.

                  E quanto às vitaminas? Encontrou-se uma deficiência de 78,59% de vitamina A, 22,24% de vitamina B1, 67,82% de vitamina B2, 65,86% de vitamina B6, 27,26% de vitamina B12 e 52,13% de niacina.

                  Este quadro dramático explica a grande incidência de algumas doenças que afligem o povo brasileiro. Não por acaso, o Brasil é o país com a maior quantidade de farmácias do mundo, com mais de 50 mil estabelecimentos instalados, o que resulta na incrível taxa de 3,34 pontos para cada 10 mil habitantes.

Aliás, segundo a Sociedade Brasileira de Nutrição, 48% dos pacientes internados nos nossos hospitais são desnutridos.

Fico, inclusive, a pensar em um amigo meu, aparentemente saudável, que caiu praticamente “tetraplégico” apenas por falta de potássio. Suprido o nutriente, ele saiu andando do hospital.

                  Além de doenças, a carência de vitaminas e sais minerais acarreta, comprovadamente, redução da expectativa de vida e dos anos produtivos, e queda de freqüência e aproveitamento no trabalho e na escola.

A propósito, cito um exemplo: pesquisadores norte-americanos constataram, recentemente, que crianças com carência de ferro aprendem apenas 50% do que lhes é ensinado.

Assim, não é coincidência que a Região Sul, cujo solo é mais mineralizado, tenha os maiores índices de produtividade, em contraste com as Regiões Norte e Nordeste. E também não é coincidência o fato de na Região Nordeste a estatura dos homens ser 5 centímetros menor e a das mulheres 6 centímetros menor, quando comparadas com a Região Sudeste.

Um aviso: a boa apresentação do alimento nada tem a ver com sua pobre qualidade em vitaminas e sais minerais – ele pode até ser bonito à mesa, mas é fraco em sua essência.

Isto significa que, dadas as características do solo brasileiro, teríamos que comer, todos os dias, 1 quilo de pão, 800 gramas de macarrão, 500 gramas de mandioca, 150 gramas de feijão e 200 gramas de arroz, só para atendermos as recomendações mínimas de vitaminas e sais minerais estabelecidas pela ONU e OMS. Convenhamos: nem um elefante conseguiria…

Este problema tem solução? Sim: um programa de mineralização do solo sério e de longo prazo, aliado a um controle científico dos alimentos vendidos. Isto já foi feito, e com sucesso, nos EUA, que hoje colhem os frutos desta política através de um povo saudável e produtivo.

Um detalhe: em doenças, cada Real gasto na prevenção economiza cinco outros em tratamentos. Pois bem, em nutrição cada Real gasto economizaria 86 outros consumidos em perda de produtividade, doenças, repetências escolares, aposentadorias precoces, etc.

Estes dados demonstram que brasileiros, africanos e asiáticos não são, e nem nunca foram, “preguiçosos” ou “menos inteligentes”. Apenas têm sido mal-alimentados – afinal, “o homem é aquilo que come” (Feuerbach).

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