Grazieli Esposti

Grazieli Esposti é jornalista e especialista em Comunicação Estratégica e Gestão da Imagem, mas sua maior realização é, sem dúvida, a maternidade. Mãe do Bernardo e Henrique, ela divide, em sua coluna, um pouco das dores e delícias dessa viagem sem volta. Tudo com muita opinião, sinceridade, respeito, fé e bom humor. Sugestões: jeitodemae@eshoje.com.br / Instagram: @colunajeitodemae / Fan page: Coluna Jeito de Mãe.

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Desculpa, desculpa, desculpa. Foram com estas palavras, em meio a emoção da chegada do filho, que a Thanandra Torres recebeu seu bebê nos braços, no dia 8 de março deste ano. Semana passada comecei a contar a história deste nascimento inesperado, prematuro e emocionante. Relatei basicamente o parto, que de básico não teve nada, diga-se de passagem. Hoje quero compartilhar com vocês um pouco do que toda a família vivenciou, aprendeu e ensinou nestes mais de 40 dias em que o José esteve internado.

Voltando um pouco ao que ela disse assim que ele nasceu, você pode estar pensando. Mas porque ela pediu desculpas para o filho? Bem, se você que está lendo agora é uma mamãe, certamente já sentiu na pele a sentença: nasce uma mãe, nasce a culpa. E com a Thanandra não foi diferente. Num primeiro momento ela achou sim que fosse a culpada pelo parto prematuro. Mas como Deus é perfeito sempre, em tudo o que faz, tratou logo de mostrar que ela não tinha culpa, nada de diferente poderia ter sido feito para retardar a chegada do bebê, já que não havia indícios de nenhum problema, nem suspeitas. Hoje a causa ainda está sendo investigada, pois a placenta continua em análise.

Em nossas várias conversas, trocas de áudios e mensagens durante todos esses dias, noites e madrugadas, ela me contou que apesar do sofrimento, nunca se questionou por que com ela? Disse que escolheu a seguinte frase pra definir sua vida no momento “ela hoje só quer agradecer, não porque tudo foi perfeito, mas sim porque foi do jeito que tinha que ser” e seguiu.

Claro que a vida de uma mãe de UTIN não é fácil, mas essa menina/mulher que ainda fará 30 anos, demonstrou uma força, uma coragem e confiança, que só realmente quem tem muita fé e pratica a resiliência de verdade, vai conseguir entender. Talvez por isso, algumas pessoas a julgaram por “manter uma vida normal” ou pelo menos aparentar, enquanto o filho estava na UTIN. Realmente, encarar os percalços e obstáculos do nosso caminho com sabedoria, leveza e gratidão não é para qualquer um. Falar que faz é fácil, mas agir desta maneira é muito difícil. E é por isso e por tantos outros motivos que a Thanandra é tão especial e o José um cara de muita sorte. Papai do céu não a escolheu por acaso, sabia que ela daria conta desta missão. E mesmo que ela ainda não tenha respostas para todas as suas perguntas, ela preferiu aceitar, confiar e entregar tudo nas mãos de Deus.

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Sábia essa menina, entendeu logo de cara que os planos Dele são diferentes dos nossos e por mais que a gente acredite que tudo saiu conforme planejamos, na verdade, saiu como tinha que ser. Se foi igual aos nossos planos, pura coincidência ou obra de Deus. E quer saber, em qualquer situação da vida, principalmente nas dificuldades da maternidade, manter a mente sã é fundamental para tudo fluir melhor. Nosso pensamento e palavras têm muito poder, acredite!

Mas apesar de ter força, coragem e resiliência não significa que não tenha sofrido com tudo isso. Imagina! Como não sofrer sabendo que seu filho só respira com a ajuda de aparelhos, se alimenta através de uma sonda e está longe de você? Como essa distância dói! Não consigo imaginar o quanto, pois algumas coisas, só passando pra mensurar. Ela me contou que o dia mais triste da sua vida foi quando teve alta do hospital e deixou pra trás um pedaço dela lá. A dor foi emocional e física também, a sensação de realmente arrancarem uma parte sua.  Além desse dia difícil, ela aponta que lidar com a instabilidade do quadro do filho foi angustiante e sofrido, pois ele podia estar bem em um dia e no outro sofrer alguma intercorrência e regredir. Inclusive isso aconteceu.

Desde que nasceu, José vinha evoluindo bem e estava começando a aprender respirar sozinho. Neste dia, inclusive, ela foi embora pra casa com a esperança de que em menos de um mês ele pudesse ir junto. Porém, durante a noite, ele apresentou sangue nas fezes e surgiu a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Então ela foi orientada a excluir de sua dieta o leite e derivados e também informaram que não poderiam mais dar pra ele o leite pasteurizado que vinha do banco de leite humano, já que durante a madrugada ele era alimentado desta forma. Ele então passaria a ser complementado com uma fórmula específica pra alérgicos. Eu confesso que quando ela me contou isso, me emocionei muito, pois tive um filho APLV e até diagnosticar, entender e aprender sobre tudo, sofremos demais. Não falei isso pra ela, mas ela agora vai saber, mas eu pensei: precisava ser alérgico também? Claro, que esse era apenas um detalhe perto de toda a situação, mas como eu já vivi isso e sei das dificuldades, não desejava que ela passasse por mais essa. Ainda neste dia do sangramento, o José também começou a ter apneia, que é ficar sem respirar por um tempo, e começaram a desconfiar de alguma infecção.

Foi mais um momento difícil, pois ele precisou passar por muitos exames e o risco eminente de voltar a ser entubado era assustador, mas graças a Deus não precisou e a infecção foi descartada. Mas infelizmente teve uma regressão em todo o quadro geral, tendo que recomeçar as etapas, consequentemente atrasando sua alta. Na maioria das vezes que um bebê de UTIN sofre alguma intercorrência, o processo precisa ser recomeçado do zero. É uma montanha russa e para ter a alta é necessário a estabilidade e atender alguns fatores, entre eles: pesar mais de 2kg, respirar sozinho sem nenhum desconforto e saber mamar.

E no dia de hoje, com uma alegria imensa que invade o meu coração, posso dizer que o José cumpre todos estes quesitos com louvor e enfim veio conhecer o mundo aqui fora. Ele está um gorducho, tem fôlego de nadador e mama feito um bezerro, dá gosto de ver! E a mamãe e a família? Estão radiantes, emocionados e agradecidos com esta benção tão esperada! E eu só posso agradecer a Thanandra por ter dividido tudo isso com a gente e desejar mais e mais saúde para esse guerreiro especial. Pra mim, essa história foi mais uma inspiração de como encarar os desafios da maternidade. Precisamos lembrar sempre de agradecer pela saúde de nossos filhos e também de nunca julgar a dor do outro ou a forma que lida com ela sem saber ou tentar se colocar em seu lugar. Espero que tenha sido inspiradora e reflexiva pra você também! Até a próxima!

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