Cesar Herkenhoff

César Herkenhoff é pós-graduado em Psicanálise Clínica e em Criminologia, Política Criminal e Segurança Pública. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Bacharel em Teologia, Direito e Comunicação Social. Hipnólogo e membro da Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Iberoamericana de Hipnologia Condicionativa. Jornalista, radialista e publicitário. Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Durmo consternado com a lamentável informação da morte do amigo Roney Moraes.

Acordo com a sensação de noite mal dormida por causa de um pesadelo.

Corro para as redes sociais para ver uma postagem ridícula qualquer sobre o Fla-Flu de amanhã.

Nada.

O Fluminense perdeu ontem se não um de seus mais notáveis, pelo menos um de seus mais apaixonados torcedores.

Cachoeiro de Itapemirim chora a morte do amigo jornalista e psicanalista Roney Moraes, morto prematuramente ontem, aos 40 anos de idade, vítima de infarto do miocárdio.

Um garoto que deixa a gente cheio de saudade, de lembranças de um jornalista crítico, ácido no melhor estilo, e de um psicanalista humano, que colocava a profissão e o bem-estar mental de todo ser humano acima de sua notável irreverência.

Anteontem ele me perguntava sobre o acidente de carro em que estive envolvido horas antes, e eu informava que só houve danos materiais (nume referência à coluna “Danos Moraes” que ele assinava na mídia cachoeirense.

– Vaso ruim não quebra – disse em tom abusado.

– Entre a perda do carro e a piada, fico com a piada – respondi, omitindo, deliberadamente, a informação de que o carro não era meu, ou não teria havia uma única piada.

Vaso ruim não quebra…

A frase ficou ecoando em minha cabeça. Talvez por isso mesmo eu tenha sobrevivido a três infartos, já na terceira idade, e ele não tenha superado o primeiro.

Roney Moraes era uma pessoa delicada. Tinha tesão pela vida e pelo que fazia. Proprietário de um “cinismo do bem” invejável. Daqueles que diferenciam mesmo pessoas comuns das diferenciadas.

Era tão especial, que a ele se lhe permitia até o direito de torcer apaixonadamente pelo Fluminense. Os amigos aceitavam nele ele defeito gravíssimo e insuportável, nas raríssimas vezes em que o tricolor foi além de lugar nenhum.

“Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor…”.

Por algum motivo e de alguma forma, essa passou a ser a minha versão triste do Hino da Vitória, que acompanhou a carreira de Ayrton Sena da Silva.

Saudade eterna, com certeza.

Mas sempre acompanhada da certeza de que é a única herança ruim que Roney Moraes deixa pra gente.

Acho que o coração dele se acovardou com medo do Fla-Flu de amanhã. Uma pena, porque o Fluminense já está tão acostumado a apanhar que não faria a menor diferença.

Vá em paz, meu amigo.

Essa mesma paz que você nos últimos anos, como terapeuta, levou a tanta gente que buscou em você – e foi acolhida, sempre – a mão, a compreensão, o carinho e a inteligência.

Você vai, mas a saudade fica.Roney Moraes

Cometários

  1. Mesmo com o pouco tempo que o conheço, como aluna no curso de psicanalise, confirmo todas as palavras acima citadas que dizem respeito ao legado de Roney Moraes. Sempre será lembrado por todos os quais ele dividiu seu conhecimento, carinho, amizade e alegria! Descanse em paz!!

  2. Crônica perfeita, ao estilo do amigo humano que partiu…Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor….. Vá com Deus…E que possamos viver cada vez melhor, o tempo que Deus preparou para cada um de nós.

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