A delegacia de Proteção a Criança e ao adolescente (DPCA), investiga uma mulher de 50 anos por tráfico de crianças. Ela oferece dinheiro, roupas, eletrônicos, entre outros benefícios para garantir que mulheres entreguem seus filhos, alguns recém-nascidos. Andréa Eliane dos Santos foi descoberta após um caso de possível sequestro de um bebê em 8 de março deste ano, em Guarapari. A mãe da criança veio da Bahia e morava em abrigo na cidade de Vila Velha. Segundo ela, Andréa sabia que ela estava passando necessidades financeiras quando fez a proposta.

Para a polícia, as duas cometeram o crime de negociar o bebê. Mas foi a partir deste caso que se descobriu que Andréa estava praticando o comércio infantil na Região Metropolitana. No caso dela e Valéria, elas se conheceram aproximadamente 15 dias antes do nascimento da criança em uma rua perto do abrigo e Andréa convidou para que a então gestante fosse morar em sua casa e se ofereceu para ficar com a criança. Segundo Valéria Soares da Silva, a mulher ainda abriria uma conta em seu nome onde iria depositar uma quantia fixa todo mês.

Para convencer a mãe de não desistir do combinado, Andréa forjou um “Termo de Anuência para Adoção”, documento que não existe, mas que ela apresentou para que Valéria assinasse. Além disso, ainda deu a mulher um computador portátil, roupas, calçados, e R$70 para que ela voltasse para a Bahia depois do parto, o que de fato aconteceu.

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A situação saiu do planejado após o pai da criança, residente na Bahia, perguntar sobre a criança. Valéria resolveu então voltar para Vitória a fim de ter de volta a criança, mas não encontrou mais Andréa e por isso no dia 28 de março foi à polícia dar queixa por sequestro. Segundo o delegado Lorenzo Pazolini, titular da DPCA, durante as investigações várias partes do depoimento não se encaixavam, pois Valéria dizia que foi a Bahia para que o pai registrasse a criança visto que este não possuía dinheiro para vir ao estado e deixou o filho com a amiga Andréa.

Em depoimento, Valéria afirma que Andréa possuía em casa várias roupas de criança, além de bolsas, fraldas, e sapatinhos de bebe. A polícia teve acesso também a um documento da farmácia que confirma que Andréa tomava um medicamento que estimulava a produção de leite, para que ela pudesse amamentar a criança.

Outros casos
Além do falso sequestro, a polícia ainda investiga outros dois casos. O primeiro ocorrido em 10 de Dezembro de 2017 no Hospital de Mulher de Cobilandia, quando chegou a o hospital se apresentando como sogra da gestante, e dizendo que iria acompanhar o parto. Porém, as enfermeiras do local estranharam as atitudes da mulher. Andréa não permitia que a mãe da criança a amamentasse, e nem mesmo pegasse a criança no colo. Ela havia levado uma mamadeira com leite e uma bolsa com várias coisas, a fim de prevenir que a mãe não desistisse do acordo feito com ela também.

A mãe se arrependeu do combinado, e as duas acabaram tendo um desentendimento, diante do fato a chefe de enfermagem do local acabou acionando o concelho tutelar pois já desconfiava da possibilidade de tráfico de crianças. Assim que o concelho apareceu, Andréa forjou um desmaio e conseguiu fugir.

O último caso é de abril deste ano, quando Andréa mudou para uma nova residência e disse que estava grávida, duas semanas depois apareceu com uma criança. Lá ela se apresentava como Patrícia, mas os vizinhos tinham conhecimento da idade naturalmente infértil da mulher. Como o caso não é comum, os agentes da unidade de saúde do bairro pediram que a mulher apresentasse um documento. Andréa então forjou o cartão do SUS da criança, mas alterou apenas o nome da mãe, e como o código de barras ainda era o mesmo, foi possível identificar quem é a verdadeira mãe da criança.

A polícia ainda não encontrou a mulher, portanto a criança permanece em um abrigo. Coincidentemente todos os recém-nascidos eram meninos, e a polícia ainda investiga se há casos confirmados de tráfico de crianças.

WhatsApp Image 2018-06-11 at 17.57.50 (1)Conclusão
A polícia pretende realizar a prisão preventiva de Andréa ainda nesta terça-feira (12). Ela deve responder por falsificação de documento público, e três vezes pelo Art. 238 do Estatuto da Criança e do Adolescente que diz respeito a promessas ou efetivações de venda de bebes.

Além dela, todas as mães envolvidas devem responder pelo mesmo artigo do Estatuto. Valéria que está com o bebe na Bahia, responderá também por denunciação caluniosa por ter inventado um falso sequestro a polícia.

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