O sistema bancário brasileiro aumentou a resiliência no primeiro semestre de 2018, a despeito da incerteza na política e o temor sobre o andamento das reformas, afirma o Banco Central (BC) no “Relatório de Estabilidade Financeira – Outubro de 2018”, divulgado nesta quarta-feira, 3.

O BC observa que os riscos no mercado internacional aumentaram no primeiro semestre, “mas não há indícios de riscos relevantes para o capital das instituições financeiras”, sobretudo aqueles que vêm de altas abruptas do câmbio, segundo o documento.

“O sistema bancário, afirma o BC, dispõe de capital robusto, em nível e qualidade”, segundo o documento.

O índice de Basileia dos bancos passou de 18,1% em dezembro de 2017 para 17,2% em junho, de acordo com o BC. Essa redução reflete, segundo o relatório, a retomada gradual do crédito e os ajustes prudenciais das instituições financeiras.

“O risco de liquidez de curto e de longo prazo é baixo, cenário que tende a perdurar no segundo semestre de 2018”, afirma o relatório, que destaca que houve aumento do custo das captações no exterior. O índice de liquidez dos bancos fechou o primeiro semestre em 2,13 ante 2,38 em dezembro.

O relatório ressalta ainda que os bancos estão “plenamente aderente às regras de Basileia III e com capacidade de suportar a tendência de crescimento da carteira de crédito”. O índice de Basileia mede a adequação de capital dos bancos aos riscos, quanto maior, melhor. “Todos os indicadores de capitalização continuam significativamente superiores aos requeridos pela regulação.”

“Houve melhora na rentabilidade dos bancos, notadamente pela significativa redução das despesas com provisão”, afirma o documento, destacando que o nível de provisionamento da carteira de crédito permanece adequado ao perfil de risco dos bancos. Os resultados dos testes de estresse de capital, segundo o BC, “seguem atestando a resiliência do sistema bancário, que se mostra capaz de absorver as perdas estimadas em todos os cenários simulados”.

No primeiro semestre de 2018, a atividade econômica cresceu em ritmo mais lento que no segundo semestre de 2017, destaca o BC.

No período o crédito cresceu 1,3%, com avanço mais forte nos empréstimos às famílias (+2,7%).

Na pessoa jurídica, o crédito avançou 0,4%. “Os ativos problemáticos das pessoas jurídicas de grande porte na carteira dos bancos recuaram após três anos consecutivos de ascensão, mas ainda se encontram em patamar elevado.”

Altamiro Silva Junior e Francisco Carlos de Assis
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