Cesar Herkenhoff

César Herkenhoff é graduado e pós-graduado em Psicanálise Clínica. Pós-graduado em Hipnoterapia Ericksoniana. Pós-graduado em Criminologia, Política Criminal e Segurança Pública. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Pós-graduado em Farmacologia Clínica, com especialização em Medicina do Sono. Advogado, Bacharel em Teologia e Bacharel em Comunicação Social. Hipnoterapeuta, membro da Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Iberoamericana de Hipnologia Condicionativa. Jornalista, radialista e publicitário. Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Enquanto o Brasil, estarrecido, acompanha a cada dia novas e surpreendentes informações sobre o inocência seguido de desabamento de um edifício no centro de São Paulo, lideranças políticas e sociais parecem exclusivamente interessadas em se eximir de qualquer culpa ou responsabilidade.

Movimento da Luta Social por Moradia, que coordenou a invasão da Payssandu, e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, um puxadinho do Partido dos Trabalhadores – a serviço do candidato do PSOL a presidente, Paulo Boulos -, expuseram o lado mais indigno de suas ações: são grileiros de repartições públicas, que tomam de assalto e transformam em fonte de renda para si, para seus amigos e seus interesses políticos.

Senão vejamos: o que justificaria a invasão de prédio público por trabalhadores e/ou desempregados? Evidentemente o fato de não terem moradia.

E aí aparecem os oportunistas de plantão para, valendo-se da desgraça alheia, transformar a miséria em fonte de renda, no pior estilo, impondo aos flagelados sociais taxas de condomínio ou aluguel variando de R$ 150,00 a R$ 500,00.

A milícia imobiliária também se instalou no país, sob os olhares sempre omissos das autoridades. O Brasil não tem uma política séria e responsável de ocupação do solo urbano.

O incêndio seguido de desabamento em São Paulo, que indica pelo menos seis vítimas fatais, é apenas um aviso-prévio de outras tragédias que inevitavelmente vão acontecer.

Lamentavelmente, no Espírito Santo, a realidade não é diferente, nem menos perversa.

Não há dados precisos sobre as ocupações ilegais na Grande Vitória, mas o próprio Instituto Jones dos Santos Neves reconhece – e admite – a existência no loteamentos clandestinos.

O último dado estatístico de que se tem conhecimento, também disponibilizado pelo IJSN, dava conta de uma iniciativa do poder público – Estado e prefeituras – cuja proposta era a regularização da situação imobiliária de 37 mil famílias capixabas.

São constantes os relatos sobre problemas envolvendo imóveis do projeto “Minha casa, minha vida”, usado como instrumento de financiamento da campanhas eleitorais.

Há informações de que no Espírito Santo há mais de 100 imóveis públicos invadidos. Imóveis sem condições mínimas de vida com dignidade – infiltrações, problemas hidráulicos, problemas elétricos, problemas estruturais, falta absoluta de segurança.

Se considerarmos que a média é de quatro moradores por imóvel, estamos falando de 800 capixabas que aperam apenas as tragédias anunciadas com inequívoca antecedência.

Nunca e demais lembrar o recente desabamento (com vítima fatal) da área da piscina de um imóvel de classe média alta na Enseada do Suá. Tampouco, a interdição de prédio de luxo nas proximidades da pracinha do Cauê, em razão de vazamento de gás.

Nesses dois casos as providências, ainda que tardias, foram tomadas. Mas há várias denúncias formais que nem receberam do poder público a merecida a necessária atenção.

No país das tragédias, esses são os momentos mais propícios para a tomada de decisões de interesse público.

Ocupações ilegais e populações em área de risco precisam da atenção dos governantes. Hoje de promover uma intensa vistoria nesses imóveis em habitados em condições precárias e apontar solução definitiva. Nada de “problema parcialmente resolvido”.

O brasileiro paga imposto demais, o capixaba paga imposto demais para ficar à mercê dos inescrupulosos movimentos sociais e da intolerável omissão e conivência do poder público.

Por enquanto dá pra agir.

Mas a qualquer momento só vai dar pra contar cadáveres

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