Por Paulo César Dutra

O governador de Minas Gerais, Benedito Valadares Ribeiro (Pará de Minas, 4 de dezembro de 1892 — Rio de Janeiro, 2 de março de 1973) foi um jornalista e político brasileiro. Influente homem público na época de Getúlio Vargas, foi vereador e prefeito de sua cidade natal e mais tarde, governador de Minas Gerais, de 15 de dezembro de 1933 até 4 de novembro de 1945.

Nas suas andanças, como governador, foi a cidade de Uberaba, no Sul de Minas, para abrir a Expozebu. E passou a ler o discurso preparado pela assessoria. A certa altura, mandou ver: “cuíca daqui saia o melhor gado do Brasil”. Ali estava escrito: “quiçá daqui saia o melhor gado”. A imprensa caiu de gozação. Passou-se o tempo.

Tempos depois, em um baile na Pampulha, em Belo Horizonte, o maestro, lembrando-se do famoso discurso na terra do zebu, começou a apresentar ao governador os instrumentos da orquestra. Até chegar na fatídica “cuíca”. E assim falou: “e esta, senhor governador, é a célebre cuíca”. Ao que Benedito, desconfiado, deu a resposta com inteira convicção:- Não caio mais nessa não. Isto é quiçá! (Historinha enviada por J. Geraldo para o jornalista mineiro Gaudêncio Torquato, publicada no livro Porandubas Políticas).

A quem interessa a baderna?

Aos extremos: da esquerda e da direita. Esse ensaio nas avenidas de São Paulo e em algumas estradas pedindo “intervenção militar” sinaliza na direção do perfil identificado com “militarismo”, força, ordem na bagunça: o capitão Jair Bolsonaro. Do lado extremo do arco ideológico, a extrema esquerda quer revanche ao que considera “um golpe”, Michel Temer na presidência. O “quanto melhor, pior” pode funcionar como meio de pressão para tirar “o santo Luiz Inácio” da cadeia. Há, portanto, uma orquestração com essa melodia. Inclusive com a expressão de alguns militares de alta patente que, já de pijama, usam as redes sociais para falar de política. Já Bolsonaro percebeu que a intervenção militar acabará batendo na testa dele: as classes médias não entrariam nessa engabelação. E já começa a recuar.

Crise sistêmica

O fato é que o movimento paredista dos caminhoneiros bateu em muitos setores da vida cotidiana: supermercados sem produtos essenciais; hospitais e postos de saúde sem remédios; mobilidade urbana prejudicada; sistema educacional sem aulas; usinas siderúrgicas paradas e sem produção de aço; um bilhão de aves mortas nos próximos cinco dias se o desabastecimento continuar; 20 milhões de suínos mortos; impossibilidade de transportar essa massa; risco de contaminação de áreas e rebanhos; cirurgias impedidas e adiadas, etc. Imaginem a soma de toda essa destruição. Bilhões e bilhões. O país atrasa um bom tempo em seu percurso civilizatório.

Mais impostos

O temor de agravamento do clima social é imenso. A solução que o governo apresenta para ressarcir a conta das concessões é o aumento de impostos, a reoneração das folhas de pagamento (o ministro Eduardo Guardia desmentiu um dia depois de ter anunciado o aumento em entrevista coletiva). Ora, os trabalhadores e as empresas não aguentam mais – uma fração mínima que seja – aumento de tributos e impostos.

A carga tributária chegou ao pico. A revolta dos setores organizados da sociedade – as grandes entidades – se somará ao clamor de todos. E os efeitos se voltarão como um bumerangue contra o governo. A turma do gogó, que pede renúncia ou afastamento do presidente, vai escancarar a goela.

Consulta eleitoral

Pode um réu em ação penal na Justiça Federal candidatar-se à presidência da República? A pergunta vai ficar sem resposta. Isso porque o plenário do TSE não conheceu do questionamento, sob o argumento de que a consulta contém elementos manifestamente capazes de induzir sua eventual resposta à aplicação a caso concreto, leia-se, aplicação ao caso de Lula.

Combustível próprio

O desespero de motoristas à procura de postos de gasolina que tenham algum combustível para os próximos dias não passou nem perto do mestre de obras Waldir Lopes Faustino, 48 anos. Morador da pequena Cajuri, que fica próxima a Viçosa, na Zona da Mata, ele fez o próprio etanol para abastecer o carro que usa para viajar todos os dias entre os dois municípios para trabalhar. “Toda hora, um liga pra mim e pergunta: ‘você tem um álcool aí?””, conta.

Combustível próprio II

O etanol é feito do que sobra da cachaça. Ele comprou o material de produtores da bebida a R$ 0,50 o litro e produziu no último sábado 60 litros para usar no carro. Além de estar à mão, o combustível saiu por R$ 1,30 o litro. Bem menos do que os quase R$ 5 reais pelos quais é vendido o litro da gasolina aos consumidores. O mestre de obras Waldir Lopes também é produtor rural aos fins de semana. Tem uma “roça” na qual produz flores. E às vezes fabrica etanol, que usa como escambo, já que a produção caseira é permitida somente para consumo próprio ou trocas.

Combustível próprio III

Mas atenção, não é qualquer um que pode fazer o eu próprio combustível. O etanol produzido em Cajuri é feito a partir de uma linha de fabricação específica que tira o álcool do subproduto da destilação. O combustível produzido na fazenda, que também é feito por outros produtores da cidade, já foi testado no Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa.

Lava Jato

O Supremo Tribunal Federal – STF condena o primeiro réu da Lava Jato na Corte: a 2ª turma fixou para o deputado Nelson Meurer a pena de 13 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado, mais multa por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os filhos do deputado também foram condenados. Além disso, deverão pagar R$ 5 mi de indenização para a Petrobras.

Feriado nacional

Amanhã, dia 31 é Dia de Corpus Christ e pode ser transformado em feriado prolongado. Cuidado para não se empolgar muito e ficar sem combustível nas estradas.

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