Por Paulo Cesar Dutra

O imbróglio Tasso Jereissati x Aécio Neves ocupou a mídia no último  fim de semana. O PSDB, principal antagonista do PT nos últimos anos, não está sabendo aproveitar o fracasso do adversário e agora se vê numa confusão dos diabos. O melhor comentário talvez tenha sido do colunista Elio Gaspari que, com sua autoridade, contou o que muitos não sabiam: Aécio é um coronel. Gaspari não disse, mas é bem o momento de se dizer, que Aécio agiu neste caso como agiu Joesley Batista.

E assim o fez porque aquele é o Aécio, não o bom moço que aparece nas telas, tartamudeando de modo ensaiado para passar um ar de simplicidade. Diferentemente é o senador Tasso Jereissati, homem culto, educado, e que preza a honorabilidade que granjeou há décadas. Tão honrado que, ao falar com a alta Direção de Migalhas, há algumas semanas, disse que o mineiro estava com uma má fama “imerecida”. Ou seja, defendeu-o. E o defendeu, bem sabemos, porque age com grandeza. Não se apequenou como Aécio, que já não é de hoje, tem renegado as origens familiares e o jeito conciliador das Alterosas.

Enfim, o tucanato está numa encruzilhada: de um lado Tasso e a sobrevivência do partido, de outro uma cachoeira de problemas. Talvez opte pela opção Pindamonhangaba, que é, em verdade, um muro, lugar que bem acomoda todos e que foi o responsável por se chegar a este ponto.

Dura lex sed Lex
O juiz do Trabalho José Cairo Junior, da 3ª vara de Ilhéus/ Bahia, aplicando a reforma trabalhista em sentença do último sábado, dia 11, quando passou a vigorar a nova legislação, condenou reclamante a litigância de má-fé e por consequência indeferiu o benefício da justiça gratuita.  Um funcionário processou o empregador por ter sido assaltado a mão armada enquanto se preparava para se deslocar para o trabalho.

Embora reconhecendo que “a cada dia que passa os assaltos vão se generalizando em todas as atividades econômicas”, o magistrado concluiu que a atividade econômica desenvolvida pela empresa, de agropecuária, não implica risco acentuado de assaltos.

Corte de Haia
Fato histórico: pela primeira vez um brasileiro foi reeleito para a Corte Internacional de Justiça, em Haia. Trata-se do professor Cançado Trindade. A votação foi disputadíssima; após cinco rodadas de votações na Assembleia Geral das Nações Unidas e quatro rodadas no Conselho de Segurança, atingiram maioria absoluta os candidatos brasileiro, francês, libanês e somali (a saber, os candidatos devem atingir maioria absoluta simultaneamente e nos dois órgãos). A propósito, a diplomacia brasileira agiu com grande competência na disputa.

Ataques tucanos
No apagar das luzes do ano legislativo, é bom ficar alerta para não permitir que iniciativas que sabotem o país prosperem. O momento é de menos e não mais despesas

Faltam apenas sete semanas para o ano terminar, mas o tempo é mais que suficiente para o Congresso trabalhar para melhorar as perspectivas do país em 2018. Nas sessões que ainda serão realizadas até meados de dezembro, há, contudo, uma série de medidas que tanto podem desanuviar quanto nublar de vez o horizonte do país. O alerta é do Instituto Teotônio Vilela é um órgão de formação política do PSDB.

De acordo com o Instituto, o apagar das luzes de cada ano legislativo costuma ser período em que medidas deletérias são votadas a toque de caixa, sem maiores discussões. Neste ano, pode não ser diferente. O Parlamento tem na sua pauta projetos importantes, começando pela óbvia necessidade de debater e aprovar a reforma da Previdência, mas tem também uma lista de propostas que só colaboram para prejudicar o país.

30 Anos da ANC
A Assembleia Nacional Constituinte – ANC completa em 2018, 30 anos, período em que 594 Parlamentares, sendo 559 titulares e 35 suplentes, apresentaram emendas para a elaboração da “mais popular” Constituição do Brasil de todos os tempos. Os parlamentares foram  assim representados: 512 deputados federais , sendo 487 eleitos no pleito de 15 de novembro de 1986 e 25 suplentes; 82 Senadores, sendo 49 eleitos no pleito de 15 de novembro de 1986, 23 eleitos em 1982, além de 10 suplentes.

Arte solidária
Quem sonha em ter uma obra de arte em casa terá a oportunidade de adquirir peças raras e de grandes artistas e ainda ajudar uma instituição social no 2º Leilão Beneficente do Instituto Jutta Batista da Silva (IJBS), promovido pela galeria Empório das Artes, no dia 21 de novembro, às 20h30. São quase 200 peças, sendo que cerca de 50 serão leiloadas em prol do Instituto Jutta Batista da Silva, presidido por Mariana Buaiz e que contribui para o desenvolvimento social de onze municípios da região serrana do Espírito Santo.

A exposição das peças, contudo, começa oje, dia 16, cinco dias antes do pregão, de 16 a 20 de novembro, momento em que os aficionados por arte e antiguidades têm a oportunidade de avaliar e conhecer as obras. O marchand Lélio Cimini, que está à frente da Empório das Artes, conta que entre os itens doados para o Instituto Jutta Batista da Silva estão obras assinadas por Ana Paula Castro, por Jacqueline Chiabay, pela pintora Ângela Gomes, desenhos de Ronaldo Barbosa, pinturas de Heitor dos Prazeres e Maria Eugenia Morsch, obras dos mosaicistas Márcio Antonelli e Celso Adolfo, esculturas de Nilson Camisão, Hippólito Alves e tapetes Karachi. Um destaque do leilão é o artista Rosindo Torres, que vai finalizar sua obra a ser doada durante o pregão.

Também serão leiloadas joias assinadas por designers como Adriana Delmaestro, Emar Batalha, Ricardo Vieira e Oswaldo Moscon e diárias da Rota de Charme em pousadas como Rabo do Lagarto (para casal incluindo almoço no restaurante Alecrim), Fazenda União (RJ) e Rosa dos Ventos (Teresópolis). Trata-se do segundo leilão do Empório das Artes em parceria com o Instituto Jutta Batista da Silva. 

Tragédia de Mariana
A Justiça Federal de Ponte Nova determinou, na última segunda-feira, a retomada do trâmite da ação penal que trata dos crimes decorrentes do rompimento da barragem de Fundão ocorrido em novembro de 2015, em Mariana, Região Central do estado. Além de causar a morte de 19 pessoas e soterrar a localidade de Bento Rodrigues, o rompimento da barragem provocou prejuízos a 40 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, além de contaminar a Bacia do Rio Doce. O processo estava paralisado desde julho, após a defesa de dois dos 21 réus alegarem supostas irregularidades em provas juntadas ao processo.

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação civil pública composta de cerca de 200 pedidos de providências e de liminar, com valor da causa estipulado em R$ 155 bilhões, considerados danos ao meio ambiente, às comunidades atingidas e à economia. O MPF denunciou 21 pessoas por homicídio qualificado, com dolo eventual, quando se assume o risco de cometer o crime. Entre os denunciados estão o presidente afastado da Samarco, Ricardo Vescovi de Aragão; o diretor de Operações e Infraestrutura, Kleber Luiz de Mendonça Terra; três gerentes operacionais da empresa; 11 integrantes do Conselho de Administração da Samarco e cinco representantes das empresas Vale e BHP Billiton. Será que vai render?

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