terceira ponte - dayana souza (3)O fechamento da 3ª ponte, que liga os municípios de Vitória e Vila Velha, para atender a ocorrência de uma tentativa de suicídio, chamou a atenção das pessoas para a pergunta: porque interditar a via? A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do Espírito Santo explicaram que esse procedimento é fundamental para preservar a vida de alguém que naquele momento precisa muito de ajuda.

A ocorrência aconteceu na manhã da última terça-feira (12). Os profissionais foram chamados as 10h30 e durante cerca de cinco horas, negociaram com o homem. A operação foi um sucesso e a vítima foi encaminhada em uma viatura de resgate a um hospital psiquiátrico do município de Cariacica.

A capitã Gabriela Andrade de Carvalho, do Corpo de Bombeiros, era quem estava na função de chefe de operações. Segundo ela, quatro equipes foram ao local e duas embarcações estavam na água. O trabalho conjunto, com utilização de técnicas de abordagem, foram os pontos destacados para o sucesso da operação. “Muitas pessoas criticam o fato de obstruir a 3ª ponte. Isso é corriqueiro em ocorrências dessa natureza. Que fique claro que nosso objetivo, quando somos acionados, é justamente para impedir que uma vida seja ceifada”.

Segundo a capitã, toda a ação é necessária para desestimular o ato. E quem passa pela via grita palavras que façam justamente o contrário: estimulam que a pessoa pule. “Por isso é muito importante à obstrução, para que consigamos impedir esses comentários. É importante ressaltar: isso é crime”, frisou.

Gabriela destacou também que muitas pessoas filmaram a cena. A orientação é que elas tenham paciência para compreender a situação. A PM e os Bombeiros tomam todas as providências com base em protocolos técnicos, em prol da vida de alguém que precisa de ajuda.

“Fui questionada diversas vezes se algo não poderia ser feito. Temos notado que essa ocorrência tem aumentado muito. Essa é a quarta tentativa só essa semana. As forças de segurança estão conversando sobre isso, sobre o que podemos fazer para evitar que isso continue. Mas não depende só da PM e dos Bombeiros. Enquanto formos acionados, nossas ações serão voltadas para preservar uma vida”.

Empatia

O sargento Keller, que foi o negociador principal, explicou que a equipe tratou o fato como qualquer outra ocorrência. A PM age de acordo com a Constituição Federal: a vida é algo sublime. O isolamento, chamado de ponto crítico, não pode sofrer influências externas. “Através do cerco é que essa crise não vai se movimentar. Por isso a importância de se fazer o fechamento da via ou de qualquer outro ponto que esteja ocorrendo”.

Os policias são formados em curso de negociação, através da Companhia Independente de Missões Especiais (CIMESP), onde recebem aulas de técnicas de negociação, tática, sociologia do crime e programação neolinguística. Já a população pode ajudar não propagando notícias falsas via rede social, mas principalmente: tendo empatia.

“É você entender que talvez pudesse ser uma pessoa querida sua. Tem que pensar desse jeito. É isso que queremos. Que as pessoas tenham essa paciência e liguem um pouco mais a questão da tolerância. É complicado, estava calor, o trânsito muito grande, mas as pessoas precisam saber que Polícia Militar está presente ali e precisam confiar. Nossa maior missão é salvar vidas”.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone (188), e-mail, chat e voip, 24 horas e todos os dias.  Endereços: Av. Alberto Torres, 153 – Jucutuquara (Vitória) / Avenida Presidente Costa e Silva, 902 – Sala 29 – Bairro Novo Horizonte (Linhares, com atendimento das 14h às 18h).

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