“Então é isso: o plano B de Theresa May é tentar convencer os deputados a votar no Plano A.” Foi com essa definição que a deputada opositora Stella Creasy resumiu, no Twitter, como o Parlamento britânico recebeu as propostas apresentadas nestas segunda-feira, 21, pela primeira-ministra, seis dias após ela ter seu acordo sobre o Brexit rejeitado pela diferença histórica de 230 votos.

A piada da deputada trabalhista é uma referência à falta de propostas de May para que um novo plano seja votado. Na semana passada, May sofreu a pior derrota de um governo britânico no Parlamento em quase 100 anos quando tentou aprovar o acordo que tinha feito com a União Europeia.

Apesar do resultado, a premiê conseguiu, no dia seguinte, garantir o voto de confiança dos deputados, se mantendo no comando do governo, mas travando uma batalha política com a oposição trabalhista e com integrantes do próprio partido que são favoráveis a uma saída sem acordo da UE.

Em discurso no Parlamento nesta segunda, May se comprometeu a “renegociar os termos do pacto”, sem dar detalhes específicos. A única proposta foi abolir uma taxa de £ 65 (R$ 315) que seria cobrada de cidadãos europeus que queiram continuar morando no Reino Unido após a retirada do país da UE.

May descartou a possibilidade de um adiamento do prazo final para a saída do Reino Unido da UE e a convocação de um novo referendo sobre o Brexit, o que muitos defensores da permanência na UE pedem.

Ela também disse que continuará dialogando com políticos e setores da sociedade civil para costurar um novo acordo que impeça o Reino Unido de deixar a União Europeia sem período de transição, o chamado Brexit duro. Se nenhuma proposta de saída for aprovada pelo Parlamento, o Reino Unido sairá da UE em 29 de março sem acordo e sem período de transição.

A primeira-ministra pediu aos parlamentares, até mesmo os de oposição, que apresentem a ela projetos e propostas. Ela afirmou ainda que conversará com parlamentares da Irlanda do Norte, que temem as novas regras para o trânsito de pessoas e de mercadorias na fronteira com a República da Irlanda após o Brexit.

O mecanismo projetado para impedir o restabelecimento de uma fronteira física entre a Irlanda, país-membro da UE, e o território britânico da Irlanda do Norte, chamado de “backstop”, é um dos pontos mais controvertidos do acordo. May não deu nenhuma solução para o problema, além de prometer “criar um comitê” para manter o diálogo e fornecer “garantias sobre padrões ambientais e direitos dos trabalhadores”.

A fala foi vista como uma tentativa de sensibilizar membros do Partido Conservador, o mesmo de May, favoráveis à saída do país da UE sem acordo, e o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) da Irlanda do Norte, que tem expressado preocupação a respeito do futuro da fronteira.

Os membros do Parlamento britânico não chegaram ainda a um acordo sobre como manter as fronteiras livres quando o Reino Unido estiver formalmente fora do mercado único e da união aduaneira da Europa. May negociou com a UE regras alfandegárias especiais, que valeriam apenas para a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

No entanto, o DUP, que defende os laços da Irlanda do Norte com o Reino Unido, rejeitou o acordo por temer que regras diferenciadas enfraqueçam esses laços, pondo em risco a integridade do reino. Ainda assim, o partido votou para que a primeira-ministra permanecesse no cargo.

Parlamentares do Partido Conservador também se manifestaram contra as regras especiais na fronteira das Irlandas, temendo que uma parte do Reino Unido continue sujeita a regras da UE por tempo indeterminado. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadao Conteudo
Copyright © 2019 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *