geração 2A história de uma das escolas mais tradicionais de Vitória corre riscos de chegar ao fim. O Colégio Geração, que funciona no bairro Santa Lúcia desde 1969, sofre com uma ação judicial de R$ 4 milhões que pode levar a sua demolição. Pais de alunos do escola planejam um ato simbólico nesta terça-feira (23), as 17h, a fim de reverter à situação.

Há cerca de duas semanas, a escola divulgou um bilhete entre aos responsáveis, informando que não iria realizar rematrículas para 2019, pois o espaço precisaria ser fechado para demolição.

Inconformados com essa possibilidade, os pais se mobilizaram e se dividiram em comissões a fim de buscar possíveis soluções para a situação.

Segundo Felipe Dall’Orto, um dos responsáveis que faz parte da organização do ato, receber a notícia da possível demolição foi um susto para os pais. “Dentro das nossas possibilidades, os pais se juntaram em comissões, cada um dentro do que sabe fazer pra tentar de alguma forma chamar atenção e levar um pouco de esclarecimento. A ideia é que a gente consiga chamar atenção do poder público par que eles entendam que investir em escola é desenvolvimento”.

No ato, pais e crianças pretendem dar uma volta no quarteirão com cartazes em defesa do colégio. Depois, farão um abraço coletivo em volta do terreno para simbolizar o carinho que tem pelo local.

Um dos donos do local, Thales Amaral Torezani, afirma  que o terreno onde funciona a escola foi herdado pela família. Inicialmente, foi um presente dado ao seu avô por um parente próximo, mas na época não houve nenhuma documentação firmando a passagem do terreno.

O colégio surgiu com o nome de “ABC do Lobinho” e posteriormente mudou para “Escola Geração” devido à história de hereditariedade do local. Desde então, o trabalho teve continuidade e foi cuidado também pelos pais de Thales.

A divida

A divida surgiu em 1987, quando a Empresa Café Glória, que é da mesma família proprietária do local, colocou o terreno como garantia de uma dívida, e logo no início dos anos 90, o Banco de Desenvolvimento do Estado (BANDES) quis tomar o local. Na tentativa de manter o funcionamento, os proprietários da escola passaram a tentar de diversas formas não perder o espaço.

Ao saber que o local poderia ir a leilão em 1995 o pai de Thales chegou a pagar 85% da divida total. “Nós não figuramos nessa execução que o Bandes faz contra o café Glória. Na verdade, ele ficou sabendo que estava indo a leilão, e de surpresa, num certo desespero, pagou 85% da dívida na esperança de poder manter tanto a escola quanto a casa da nossa família, que é logo ao lado e também está no mesmo terreno”.

Segundo Thales, na última segunda-feira (22) houve uma reunião entre a escola e o Bandes, onde o banco, pela primeira vez, apresentou uma nova postura, visto que sempre buscou judicializar a questão. Foi proposta uma maior abertura para o diálogo e reconhecimento de que outras questões devem ser apontadas no processo. Além disso, eles se comprometeram a não ficarem contra a paralisação da ação de execução.

Nota na íntegra do Bandes:

“Em primeiro lugar, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) se solidariza com alunos, pais, docentes e corpo técnico da escola Geração. No entanto, ao contrário do que vem sendo apregoado pela direção da escola, o Bandes não quis e não produziu a resolução para o caso em questão. Por diversas vezes, inclusive, reuniu-se com autoridades públicas e as duas partes da família que litigam (dono do terreno e os donos da escola) para que uma solução amigável emergisse e esta medida não fosse executada pela Justiça.  O caso se arrasta há mais de 20 anos na Justiça que em várias instâncias e por diversas vezes já determinou que o terreno não pertence à escola. A decisão judicial é clara no sentido de que a propriedade pertence aos herdeiros do antigo Café Glória, empresa que contraiu um financiamento com o Bandes, dando o terreno em garantia. Como parte da dívida não foi paga, o Bandes executou a dívida e como a propriedade está avaliada num valor maior que o débito, os herdeiros esperam que em leilão da Justiça o valor arrematado seja maior que a dívida para que recebam o restante do valor. O Bandes não possui qualquer contrato de financiamento com a escola em questão e reitera que a desocupação é determinação da Justiça a pedido dos efetivos proprietários. Inclusive, a escola funciona no local há vários anos sem pagar nenhum valor pelo uso do terreno. O Bandes quer apenas reaver os recursos dos capixabas que foram deixados de investir no desenvolvimento do Estado quando o antigo Café Glória não arcou com o seu compromisso de quitação da dívida. Causa, portanto e no mínimo, estranheza a acusação de que o Bandes queira o fechamento da escola. O Bandes repudia qualquer afirmação nesse sentido e reitera o seu compromisso com a sociedade capixaba em ser um dos vetores do desenvolvimento do Estado por meio de soluções financeiras que viabilizem empreendimentos estratégicos”.

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