Foto: reprodução
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Quem busca atendimento no Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Jaburuna, Vila Velha, passa sufoco. É que desde esta terça-feira (11) pacientes estão recebendo atendimento médico nos corredores do hospital. Nesta quarta (12) a informação é que a situação está ainda pior, com uma pessoa com suspeita de tuberculose também sendo atendida no local.

Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no ES (Sindsaúde-ES), Valdecir Gomes, o paciente com suspeita de tuberculose está no corredor do hospital esperando por atendimento. Ele ressalta que as pessoas que transitam no local estão sem proteção, apenas os funcionários, que após estranharem e questionarem o motivo de uma pessoa utilizando mascara, receberam o equipamento de proteção. Ainda de acordo com o presidente, cerca de 70 pacientes recebem atendimento no corredor da unidade.

Gomes comentou que, na terça (11), a sala de emergência estava com o dobro de pacientes que a capacidade suporta. Além disso, a rede de oxigênio do prédio estava sofrendo quedas e colocando em risco a vida de entubados. A capacidade é para seis pacientes, e está com 13 internados. Sendo que sete deles estão respirando por aparelhos, três a mais que a capacidade.

Já nesta quarta, Valdecir Gomes informou que pacientes que estavam entubados, foram a óbito e o motivo pode ser a falta de equipamentos. “Possivelmente quando vier o laudo não vai sair que o paciente foi a óbito por causa do aparelho que estava oscilando, mas com certeza ele teria mais chance de viver se o aparelho estivesse funcionando corretamente. Eu cheguei lá e tinha colegas usando ambu, que é um respirador manual para ajudar na respiração, mas quem aguenta ficar umas doze horas dessa maneira, não têm condições”, aponta.

Para Valdecir, o estado está cometendo homicídios por permitir que esse tipo de situação aconteça ao enxugar as verbas destinadas aos hospitais da rede pública de saúde. Ele relembrou ainda que a atual direção do Bezerra de Farias devolveu o dinheiro de manutenção justificando como economia e deixando os servidores e pacientes sem a infraestrutura básica para o atendimento, como medicamentos, ar-condicionado, produtos de limpeza, manutenção de bebedouros, copos descartáveis e papel toalha.

Uma paciente que estava no local e preferiu não se identificar, conta que estava acompanhando a sogra e que só depois de quatro dias sendo atendida no corredor, foi levada para o leito. “Lá em cima falta medicamento, não tem gel para a higienização, o ar condicionado não funciona. Os funcionários estão sobrecarregados, atendendo as pessoas no corredor”, explica.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou que a direção do Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria vem trabalhando para melhorar e garantir o atendimento ao usuário. A sobrecarga deve-se pelo aumento da procura dos cerca de 35 mil usuários que deixaram os planos de saúde e estão buscando os serviços no SUS. Mesmo com esta sobrecarga todos os pacientes recebem assistência e são medicados. As transferências para outras unidades estão sendo providenciadas.

Ainda de acordo com a Sesa está sendo discutido com os municípios formas de organizar o fluxo de urgência e emergência para melhorar e humanizar o atendimento aos usuários do SUS. Ela aponta que já foram abertos 262 leitos e serão abertos 724 novos leitos até 2018.

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