montagem malária
Foto: Divulgação

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) divulgou, na noite da última quinta-feira (09) o boletim atualizado com o número dos casos de malária confirmados no Espírito Santo. De acordo com o informe, 112 pessoas apresentaram diagnóstico da doença – 92 em Vila Pavão e 20 em Barra de São Francisco, no Noroeste do Estado.

Desde a última sexta-feira (03), o número de diagnósticos de malária na região mais que quadruplicou, avançando de 25 para 112 em sete dias. A situação provocou reações tanto da Prefeitura de Vila Pavão, que na última quarta-feira (08) decretou situação de emergência no município, quanto do órgão estadual de saúde.

O secretário Ricardo de Oliveira esteve na cidade na tarde da última quinta-feira (09) para acompanhar as ações que estão sendo desenvolvidas em Vila Pavão para conter o surto de malária que está concentrado no município e em Barra de São Francisco.

Oliveira também entregou mais 350 comprimidos para repor o estoque de medicamentos usados no tratamento dos pacientes com malária. “Nesta sexta-feira (10), vamos enviar mais medicamentos e bombas costais para reforçar a aplicação de inseticida nas casas”, informou o secretário.

Orientações

A malária pode evoluir para forma grave e até para óbito, mas a doença tem cura se for tratada em tempo oportuno e adequadamente. Por isso, a Sesa recomenda que os serviços de saúde de todo o estado fiquem atentos a pacientes que busquem atendimento apresentando sintomas indicativos de malária. A doença começa com febre e fraqueza e se desenvolve com dor de cabeça, dor no corpo, calafrios, acompanhados por dor abdominal, dor nas costas, tontura, náuseas e vômitos.

Nestes casos, os profissionais de saúde devem questionar o paciente se ele esteve no município de Vila Pavão recentemente (ou em alguma área de transmissão da doença) ou se entrou em contato com alguém que reside ou que esteve na localidade. Para a população, a orientação é buscar atendimento imediatamente se começar a apresentar um destes sintomas.

Os sintomas da malária não aparecem de imediato. Eles surgem depois de transcorrido o período de incubação, que é o tempo compreendido entre a penetração do parasita no organismo e o aparecimento dos primeiros sintomas – o que pode levar de 7 a 14 dias, em média, podendo chegar até 60 dias. Após esse período, a pessoa começa a sentir os sintomas. O período do tratamento dura de dois a sete dias.

Não há vacina contra malária, mas existem várias medidas de proteção individual que podem ser adotadas pela população para reduzir a possibilidade da picada do mosquito transmissor da doença, como usar repelente; usar cortinados e mosquiteiros; usar telas em portas e janelas; evitar frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas ao final da tarde até o amanhecer; usar calças e camisas de mangas compridas e cores claras.

O surto de malária presente em Vila Pavão e em Barra de São Francisco está sendo causado pelo Plasmodium falciparum, uma espécie mais agressiva do que as demais e que não é encontrada no Espírito Santo. Por isso, a hipótese mais provável considerada pelos profissionais envolvidos na investigação é de que os casos tenham sido originados a partir de um caso importado, possivelmente do Norte do país, onde a malária é endêmica. No Brasil, de forma geral, o Plasmodium vivax é o causador mais comum da malária.

Apoio

Na noite dessa quarta-feira (08), o secretário de Estado da Saúde se reuniu com médicos e pesquisadores especialistas em malária para ouvir a avaliação deles sobre as ações que estão em andamento e para unir forças no controle e combate ao surto. O objetivo é repetir a parceria que foi feita no combate à febre amarela, em 2017, experiência que fez do Espírito Santo referência nacional no combate à doença.

Participaram da reunião os infectologistas Paulo Peçanha, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Filomena Eurídice Carvalho de Alencar, professora da Ufes, mestra e doutora em malária; Crispim Cerutti Junior, professor da Ufes, mestre e doutor em doenças infecciosas e parasitárias; Aloísio Falqueto, mestre em doenças infecciosas e parasitárias, doutor em medicina tropical e professor da Ufes; Lauro Ferreira, mestre e doutor em doenças infecciosas, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórida de Vitória (Emescam).

Além deles, estavam presentes a gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Gilsa Rodrigues; a referência técnica em malária da Sesa, Adenilton Cruzeiro; e a referência técnica do Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (Cievs) da Sesa, Clemilda Soares Marques.

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