rio_doce_colatina_governo_es-154347Os níveis de metais na foz do Rio Doce são maiores que após o desastre de Mariana em novembro de 2015, gerada pelo rompimento de uma barragem de dejetos da mineradora Samarco. As informações são da última análise feita pela equipe de pesquisadores da Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O coordenador da pesquisa e professor da Ufes, o geólogo Alex Bastos, informou que as coletas foram feitas nos meses de novembro e dezembro de 2016 em cinco estações localizadas entre a vila de Povoação e Regências, em Linhares. “Por motivo de pesquisa nós já trabalhávamos há alguns anos na Foz do Rio Doce. Com a chegada da lama, começamos a fazer novos estudos já que muitos metais estavam na lama. Em novembro de 2015 fizemos a primeira coleta das oito campanhas de amostragem. Percebemos que em fevereiro de 2016 havia uma diminuição dos metais, porém os resultados desta vez mostrou níveis elevados de metais, alguns superiores ao da época do desastre, como o ferro e o alumínio”, relatou Bastos.

O resultado desta análise ainda é parcial. Os pesquisadores devem divulgar nos próximos meses a análise da biota ou seja se teve impactos biológicos. Mas até agora Bastos, informou que a elevação dos níveis de metais podem ter sido causado pela cheia do rio. “Passamos por uma temporada de seca, o Rio Doce também. Com isso, o material ficou exposto na margem dos rios, e como estava vazio eles não estavam presentes em sua totalidade na água. Após o período chuvoso, e cheia do rio os materiais que estavam na margem voltaram para o rio. Um dos aspectos mais importantes a se observar é que após um ano ainda continuam os efeitos do desastre”, alertou.

Outro fato ressaltado pelo coordenador da pesquisa, é a dificuldade de fazer um cálculo preciso do volume do material que ainda tem no rio. Por isso, a sociedade terá que conviver com esse material até ele se esgotar, tempo também difícil de ser calculado, segundo ele.

Os materiais encontrados com mais representatividade foram, ferro (Fe), alumínio (Al), cromo (Cr), manganês (Mn), zinco (Zn), entre outros. Os que tiveram valores mais altos foram o ferro e alumínio. “Nós temos objetivo acadêmico com essa pesquisa de entender o impacto deste desastre. A importância dessa frequência da medição é que vai ajudar a monitorar os índices dos metais e o impacto deles no meio ambiente”.

Os resultados da análise são enviados de acordo com Bastos, para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Este ultimo faz a divulgação em seu site dos relatórios das análises.

O geólogo informou que a metodologia da pesquisa foi a mesma da análise de novembro de 2015 e novembro de 2016, feita também pela mesma equipe comandada pelo Professor Renato Neto, do setor de Geoquímica Ambiental da Ufes.  

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