A morte do designer Alexandre Wollner nesta sexta-feira, 4, aos 89 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), encerra um capítulo essencial da arte brasileira, iniciado nos anos 1950, quando o Brasil, impulsionado pela industrialização, ingressou definitivamente na modernidade.

Wollner, pioneiro do moderno design brasileiro, foi o criador de da logomarca original do Banco Itaú (depois alterada pela agência DPZ) e da identidade visual do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, entre outros projetos de grande repercussão, além de ter fundado o primeiro escritório e escola superior de design no País.

Wollner, filho de imigrantes iugoslavos, foi aluno da arquiteta italiana Lina Bo Bardi, que criou o Masp, na avenida Paulista, e fundou, em 1963, a Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro, onde, dez anos antes ingressou no grupo Ruptura, embrião do movimento concreto no Brasil. Um dos expoentes do movimento, Wollner estudou na escola de Ulm, sucessora da Bauhaus na Alemanha. Ele e Amir Mavigner participaram de exposições históricas do concretismo a convite do suíço Max Bill, diretor da escola de Ulm e primeiro artista a ser premiado na edição inaugural da Bienal de São Paulo (1951). Há cinco anos ele foi homenageado com uma retrospectiva no Museu de Artes Aplicadas de Frankfurt, Alemanha.

O designer permaneceu ativo até o final. Há poucos anos redesenhou o logotipo da É Realizações e desenhou várias coleções lançadas pela editora. Entre os logotipos mais conhecidos criados por Wollner destacam-se os da Hering, Sardinhas Coqueiro, Elevadores Atlas e Ultragás.

Antonio Gonçalves Filho
Estadao Conteudo
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