Grazieli Esposti

Grazieli Esposti é jornalista e especialista em Comunicação Estratégica e Gestão da Imagem, mas sua maior realização é, sem dúvida, a maternidade. Mãe do Bernardo e Henrique, ela divide, em sua coluna, um pouco das dores e delícias dessa viagem sem volta. Tudo com muita opinião, sinceridade, respeito, fé e bom humor. Sugestões: jeitodemae@eshoje.com.br / Instagram: @colunajeitodemae / Fan page: Coluna Jeito de Mãe.

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Hoje quero falar sobre um tema que entrou de vez na minha vida com a chegada do meu segundo filho. O Henrique, aos dois meses de idade foi diagnosticado com alergia a proteína do leite de vaca (APLV), o tipo de alergia alimentar mais comum entre as crianças aqui no Brasil. E o motivo da escolha deste tema para hoje é porque estamos passando pela semana mundial de conscientização sobre alergia alimentar, entre os dias 14 e 20 de maio, e eu jamais poderia deixar de abordar esse assunto tão importante pra mim com vocês.

Apesar da alergia alimentar ser cada dia mais comum, o caminho até esse diagnóstico do meu pequeno não foi fácil. Desde a maternidade Henrique golfava. Até aí tudo bem, isso é normal entre os bebês, mesmo não tendo passado por isso com meu mais velho. Com o passar dos dias comecei a notar meu filho inquieto, agitado, nervoso, com dificuldades pra dormir e mamando sem parar e golfando na mesma frequência. Era uma loucura, mamava e logo depois vinha aquele jato, aí mamava de novo e o ciclo não tinha fim.

Na consulta de revisão na maternidade, com sete dias, o médico passou um remédio pra refluxo e outro pra gases e cólica, pois ele chorava muito e se contorcia de dor. Mas o remédio nada adiantou e parei de dar por conta própria. Na verdade parecia ter piorado a situação, mais tarde comprovei que realmente piorou.

Com 15 dias fui em uma consulta pediátrica e ao final, saí com uma receita de fórmula de lá. Segundo o médico, podia ser fome, cólica e refluxo normal de bebê, nada de alergia. Não dei a fórmula, pois caí nessa lorota do meu leite não ser suficiente com meu primeiro filho e prometi pra mim que não cairia de novo.

Bem, dias passando e o quadro só piorando, fui em mais alguns pediatras, entre clínicas e emergências devo ter ido em mais de 10 e a todos eu perguntava, isso não pode ser alergia ao leite de vaca ou intolerância a lactose? A essa altura eu já tinha iniciado minhas pesquisas por conta própria e começado a conhecer as duas situações. Meu mais velho tinha intolerância a lactose, diagnosticada com 1 ano e 6 meses.

Saí de todos os médicos com a resposta negativa, de que não era alergia e com uma nova receita de fórmula, de todos os tipos. Cada um receitava uma. Pensa na cabeça de uma mãe? É de pirar qualquer uma.

Quando ele estava com quase dois meses, enfim eu cheguei em um gastro pediátrico que nos salvou. Ele era especialista em refluxo, cirurgião conceituado (me mandaram nele porque Henrique desenvolveu uma hérnia umbilical de tanto chorar e o abdômen se distender e os pediatras falaram que teria que operar). Após examinar meu filho e me ouvir, ele foi certeiro, “seu filho não tem refluxo patológico e sim alergia ao leite de vaca”.

Ele me explicou que o refluxo e todos os outros sintomas nada mais eram que uma reação do organismo dele. Desse modo me passou uma dieta pra fazer por 15 dias de vários alimentos, incluindo leite e derivados, e assim poderíamos fechar o diagnóstico. Ao completar 15 dias eu deveria incluir um alimento por vez, a cada três dias, pra ver se ele reagiria. Também receitou algumas opções de remédio pra refluxo pra acelerar o bem estar dele. O primeiro da lista era o que eu tinha dado lá quando ele nasceu. E já no primeiro dia medicando novamente vi meu filho ficar transtornado, igual ele tinha ficado no início e eu não sabia o que era. Liguei para ele e ele mandou suspender, pois era uma reação rara, mas possível. Ah, lembra da hérnia, ele disse que voltaria ao normal assim que resolvêssemos o problema dele, que eu não precisava me preocupar.

Voltando a dieta, já nos primeiros dias notei uma melhora no quadro do Henrique. Nem acreditava que aqueles dois meses de sofrimento pareciam ter um fim. Após esse período, comecei a reintrodução como ele orientou. E o primeiro alimento escolhido foi o leite, pois meu coração me dizia que ele era o grande vilão. E foi dito e feito. Comi num dia, aniversário de três anos do mais velho, e no outro já vi aquele terror voltar todo novamente. Enfim, eu confirmava o que meu filho tinha e isso era apenas o começo de uma longa jornada. Não posso dizer que fiquei feliz com a descoberta, mas digo que foi um alívio. Mesmo sabendo das dificuldades, quer dizer, imaginando, porque nem de longe eu sabia o que me aguardava, descobrir o que fazia mal ao meu filho era uma grande vitória. Continuo na próxima coluna, pois a história é longa. Até lá!

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