Uma nova proposta feita pelos países do Mercosul à União Europeia (UE) para o setor automotivo será avaliada na reunião desta quarta-feira, 18, em Bruxelas, na Bélgica, sobre o acordo comercial entre as duas regiões.

Os negociadores da região ofereceram uma cota de importação de 60 mil veículos anuais, sendo que nos primeiros sete a oito anos o Imposto de Importação teria uma margem de preferência de 50%, caindo assim dos 35% atuais para 17,5%, segundo informações de fontes envolvidas na negociação.

Após esse período, o imposto seria reduzido gradativamente até zero, quando se completassem os 15 anos para início do livre comércio entre as regiões. Na proposta anterior, a cota era de 10 mil veículos.

A proposta do Mercosul também prevê o livre comércio de carros elétricos e híbridos. Como os países da região ainda não produzem esses modelos, a contrapartida viria do setor agrícola europeu, que vem dificultando as negociações do acordo há vários anos. Os agricultores franceses são os que mais colocam barreiras à abertura no setor. “Nos parece uma proposta equilibrada, mas nunca se sabe como será a reação da União Europeia”, diz a fonte.

Representantes da indústria automobilística brasileira sempre defenderam prazo médio de 15 anos para que o setor possa buscar maior competitividade para competir com os europeus. Hoje, as montadoras locais só conseguem exportar para países do Mercosul. “Temos 15 anos para nos preparar pois, do jeito que estamos hoje, nos tornaríamos apenas importadores de carros”, diz um executivo do setor, que prefere não ter o nome divulgado.

Defensor

Na reunião desta quarta-feira em Bruxelas, o representante brasileiro será o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge. Nos últimos meses, ele foi o principal defensor, dentro do governo, do programa Rota 2030 que, em sua visão, ajudará o setor a se modernizar e ser mais competitivo internacionalmente.

Nos bastidores, fala-se que os presidentes Michel Temer e Maurício Macri, da Argentina, têm pressa em fechar o acordo. No caso do brasileiro, a intenção é que esse acerto – negociado há quase 20 anos -, ocorra em seu mandato, que termina no fim do ano.

No mês passado, em reunião do bloco sul-americano em Assunção, Paraguai, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, disse que acreditava em um acordo ainda neste ano. Já os chanceleres do Uruguai, Rodolfo Novoa, e da Argentina, Jorge Faurie, declararam que, em suas opiniões, o acerto deverá ficar para o próximo ano. Novoa chegou a falar em ruptura pois a União Europeia não demonstrava “vontade real de concluir essa negociação”.

Nas últimas semanas, alguns analistas afirmaram que a guerra comercial entre os EUA e a China poderia beneficiar o acordo entre Mercosul e UE, pois essa parceria seria estratégica para o bloco europeu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cleide Silva
Estadao Conteudo
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