O ministro de Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse, nesta quarta-feira, 17, que o presidente Michel Temer está “abalado” e “indignado” com o indiciamento feito pela Polícia Federal no âmbito do inquérito dos Portos. Marun demonstrou irritação principalmente pelo fato da filha do presidente, Maristela, também ter sido envolvida no caso, que apura se houve favorecimento a empresas do setor portuário na edição de um decreto de 2017. Temer e a filha estariam envolvidos, segundo o relatório, em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Marun disse que, mesmo que os fatos apontados pela Polícia Federal fossem verdadeiros, o que ele nega, “não haveria prática criminosa por parte da filha do presidente”. “Preocupa nisso uma situação que tem se tornado constante que é a tentativa de envolvimento de familiares daqueles que se quer atingir. Parece que para abalar o ânimo que quer se atingir se vai atrás de algum parente. Essa é uma prática que tem que ser abolida. Vários são os casos de parentes que são envolvidos e depois fica o dito pelo não dito”, afirmou.

Um dos principais aliados de Temer, Marun disse ainda que o inquérito dos portos “não deveria ter existido”, pois “o crime não existiu”. “São mil páginas (no relatório) de um festival de ilações. Nessas mil páginas não existe nada de concreto em relação a atitude ilícita do presidente da República. Deveria ter terminado no momento em que se fez a leitura e ficou evidente que a Rodrimar não era beneficiada pelo decreto”, disse.

Ele também criticou o fato do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter autorizado a quebra de sigilo bancário de Temer desde 2013. Marun considera que Barroso agiu “no mínimo de forma equivocada” e que há uma “perseguição” contra Temer.

“Eu sempre disse que era absurdo que, em um inquérito que investiga uma questão de 2017 se rompe o sigilo bancário de alguém desde 2013. Quer dizer, se deixa de investigar o fato e começa a perseguir a pessoa. Mesmo assim, não existe nenhuma prova nesse inquérito, principalmente de qualquer atitude indevida praticada pelo presidente no exercício do seu mandato”, defendeu.

Marun descartou a possibilidade de ser apresentada uma terceira denúncia contra Temer este ano. “Não trabalhamos com a hipótese de uma terceira denúncia, trabalhamos sim com a indignação em função de tudo isso (…) Não podemos perder a esperança nas pessoas.”

Mais cedo, um aliado de Temer contou que Temer estava “particularmente chocado”, mas que isso não vai abatê-lo e que ele vai continuar cumprindo suas agendas. No Planalto, há um questionamento sobre o presidente Temer não ter sido ouvido antes do indiciamento. O argumento é que não foi dado direito ao contraditório.

Julia Lindner e Tânia Monteiro
Estadao Conteudo
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