Os mercados acionários europeus fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 7, em um dia marcado pela cautela com incertezas políticas no Reino Unido e na Itália e pela força do euro, que prejudica companhias exportadoras listadas nas bolsas do continente. No pano de fundo, continua a expectativa para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), a ser realizada na próxima semana. Nesse sentido, o índice pan-europeu Stoxx-600 fechou em baixa de 0,24%, aos 385,94 pontos.

O euro voltou a apresentar ganhos nesta quinta-feira em relação a outras moedas fortes. O comentário do economista-chefe do BCE, Peter Praet, realizado no dia anterior, de que a autoridade monetária da zona do euro irá discutir o programa de compra de ativos na próxima semana continuou a repercutir. ”

Alguns dirigentes do BCE, incluindo Praet, indicaram a disposição do banco central em prosseguir com a discussão sobre a redução gradual e o fim do relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês). No entanto, o mais recente surto de fraqueza econômica e a recente turbulência política na região devem adiar quaisquer outras medidas tomadas pelo BCE”, afirmou a economista-chefe do Stifel, Lindsey Piegza.

Para analistas do Brown Brothers Harriman, é natural que ocorra um correção na moeda única à medida que há a percepção dos investidores de que o BCE deverá elevar os juros pela primeira vez em junho do próximo ano, e não em setembro ou outubro, como estimado anteriormente.

Com essa visão, ações foram penalizadas em solo europeu, atingidas, também, pelas incertezas políticas, enquanto os rendimentos dos bônus soberanos foram ajudados. O juro do OAT francês de 10 anos subiu para 0,831%, o retorno do Bund alemão de 10 anos avançou para 0,487% e o yield do BTP italiano de mesma maturação saltou para 2,996%, após tocar a marca simbólica de 3% na máxima do dia.

Na Itália, relatos de que a Liga, que agora integra o governo do país, pretende pressionar por mudanças na regulação bancária europeia, argumentando que os bancos locais precisam ter as mesmas condições de competir, em comparação com os da Alemanha. Na Bolsa de Milão, o índice FTSE-MIB fechou em queda de 0,18%, aos 21.767,60 pontos. Entre as instituições financeiras, o Intesa Sanpaolo cedeu 1,19% e o UniCredit recuou 1,64%.

O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou em baixa de 0,10%, aos 7.704,40 pontos. O mercado londrino abriu uma hora mais tarde devido a um problema técnico e foi atingido por incertezas em relação à saída britânica da União Europeia (Brexit).

Desde quarta-feira, a imprensa tem tratado diferenças importantes entre a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, e o negociador-chefe para o Brexit, David Davis, o que poderia levar à saída dele do cargo ou à opção por uma versão mais “dura” no divórcio com o bloco europeu.

Em Frankfurt, o índice DAX fechou em queda de 0,15%, aos 12.811,05 pontos. A BMW caiu 0,43% e a Adidas recuou 2,56%. Já o parisiense CAC-40 recuou 0,17%, aos 5.448,36 pontos.

Madri e Lisboa destoaram das demais praças europeias e apresentaram leves ganhos. O índice espanhol Ibex-35 fechou em alta de 0,38%, aos 9.829,00 pontos e o português PSI-20 subiu 0,20%, aos 5.624,61 pontos.

Victor Rezende
Estadao Conteudo
Copyright © 2018 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *