Serra1Exigir os direitos de seus filhos. Isso motivou cinco mães de crianças com necessidades especiais acamparem, por três dias, na sede da prefeitura de Serra. De três a 5 de outubro elas ficaram dia e noite no térreo da sede do Poder Executivo municipal serrano esperando uma resposta ao que elas classificaram como “respeito aos direitos básicos” dos filhos.

Mãe de um menino de seis anos Angela Pereira foi uma dessas mães e afirma que faltam profissionais especializados nas escolas e atendimento de saúde, entre outras ausências na política de assistência às crianças especiais da Serra. “Nossos filhos estão sem o atendimento que precisam, e nós, mães também. Para ser mãe de criança especial a gente precisa de atendimentos psicológico, e não estamos recebendo. Tem mãe sem medicamento, tem mãe surtada. Nós estamos aqui para cobrar os direitos das nossas crianças, muitas que nem conseguem falar direito, nem mesmo o que o professor fez em sala de aula”, destacou Angela.

“A gente busca que os direitos sejam efetivados, que nossos filhos sejam incluídos verdadeiramente. Por exemplo, eles estão sem cuidador na escola, sem terapias e isso é muito prejudicial para o desenvolvimento deles. A gente quer um suporte já que eles têm direito pela Lei Berenice Piana. A gente tem esses direitos e a gente quer esses direitos”, acrescentou Dhesyka Rocha Vieira, uma das mães acampadas.

Serra2As manifestantes dormiram na entrada da PMS e contaram que passaram por humilhações. Dentre os problemas, banheiros trancados, entradas bloqueadas, frio e desrespeito. Imagens mostram que algumas estavam com os filhos e precisaram usar baldes para as necessidades já que os banheiros estavam fechados.

“O que passamos aqui foi uma humilhação: eles proibiram a gente de usar o banheiro, nem a própria criança especial, que teve que usar o balde. Desligaram o elevador, e mandaram tampar até a única tomada que a gente tinha para carregar o celular pra gente ficar sem comunicação”, contou Ester Rodrigues Lima, que é mãe de dois filhos autistas.

As cinco mãe deixaram o prédio da prefeitura na noite de sexta-feira (5), após serem atendidas pelo prefeito Audifax Barcelos, a secretária de Direitos Humanos, Lourência Riani e o procurador do Município, Victor Silvares. No encontro ficou acordado que uma reunião será realizada, com a presença de membros do Ministério Público estadual em 18 de outubro.

Lizandra Amario
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