Juliana Salles, mãe das crianças mortas em incêndio, ao lado marido e pastor George Salles. Foto: Reprodução / Facebook
Juliana Salles e Georgeval Alves, acusado pela morte de Kauã e Joaquim, em Linhares. Foto: Reprodução / Facebook

Acusada de se omitir aos riscos de agressão, abuso e morte de seus dois filhos, Kauã, de 06 anos, e Joaquim, de 03, e detida desde o último dia 20 de junho na penitenciária de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, Juliana Salles pode estar grávida. De acordo com uma integrante da junta de advogados que representa a mulher, ela teria tido tonturas, enjoos e atraso menstrual, sintomas típicos no início da gestação.

Por isso, a junta requereu à administração prisional que seja realizado um exame de sangue, o que deve acontecer na próxima sexta-feira, dia de coleta de sangue no presídio mineiro. Por conta dessa suspeita, os advogados de defesa pretendem protocolar um pedido para que Juliana não seja transferida para o Espírito Santo.

Acusação

Segundo o Ministério Público, a mãe sabia dos abusos sofridos pelos filhos e, juntamente com o marido, pretendiam usar a morte das crianças como forma de ganhar ascensão perante os fieis da igreja onde pregavam.

O crime

 

Os corpos dos irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauã Sales Burkovsky, de 6 anos, foram encontrados carbonizados, dentro de um quarto da residência onde moravam, em Linhares, na madrugada do dia 21 de abril deste ano.

Na ocasião, o pastor Georgeval Alves Gonçalves, 36 anos, mais conhecido como George, era o único que estava em casa com os irmãos. George era pai de Joaquim e padrasto de Kauã.

Segundo contou a um amigo da família, George disse que acordou com o choro pela babá eletrônica e percebeu que o quarto dos meninos estava em chamas. No mesmo momento, ele afirma que foi até o cômodo e tentou salvá-las, mas acabou queimando também os pés e foi empurrado para fora pela força do fogo.

No dia 28 de abril, o pastor George foi preso em hotel do município, e encaminhado ao presídio de Viana.
Após o incêndio, os corpos dos irmãos foram encaminhados para o Departamento Médico Legal de Vitória, de onde só saíram no dia 10 de maio, após realização de exames de DNA.

Quase um mês depois da prisão, dia 23 de maio, a polícia conclui o inquérito e o envia ao Ministério Público. Segundo a conclusão, Georgeval abusou sexualmente do filho e do enteado, os espancou e ateou fogo ao quarto com as duas crianças dentro, ainda vivas.

Juliana Sales foi presa no município de Teófilo Otoni na madrugada de 20 de junho. O MPES, responsável pela prisão, afirma que tem “provas contundentes de que a mulher conhecia o desvio de conduta do marido, assim como os problemas com sua sexualidade e mesmo assim deixou os filhos com ele. A omissão de uma mãe nesse caso tem valor equivalente ao crime”, explicou Tannenbaum. Por conta disso, Juliana foi acusada de homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual.

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