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Menino de apenas 1 ano retornou retornou com a mãe para a Argentina.

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso do menino argentino deixado em um ponto de ônibus da BR 101, em Laranjeiras, na Serra. A tradutora Rocio Macarena Vilar, mãe da criança, não será indiciada por abandono de incapaz. O pai e um irmão dela responderão por estupro de vulnerável. A madrasta, que tem uma filha de 4 anos também abusada pelo marido, está foragida pela acusação de omissão.

Rocio contou em depoimento ao titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Lorenzo Pazolini, o que de fato aconteceu na noite do dia 17 de maio. A tradutora afirmou que era abusada quando criança, em um incesto de família.

Segundo a tradutora, o pai dela saiu ilegalmente da Argentina, formou uma espécie de fazenda em Itacaré, na Bahia, na intenção de criar uma sociedade paralela para que os familiares reproduzissem uma “raça pura” entre eles. Dois dias antes de fugir, ela descobriu que o filho também era estuprado.

“Ficou comprovado que a fuga dessa mãe era desesperada visando proteger o filho e a si mesma porque ela já foi vitima de abusos sexuais. Os indícios são veementes nesse sentido e também indicam que claramente o filho passava pela mesma violação de direitos. Ou seja, uma criança sofrendo abuso sexual por parte de familiares”.

Rocio contou à polícia que pediu ajuda a mãe e conseguiu passagem aérea para retornar a Argentina. Ela seguia para Salvador (de onde sairia o voo), mas no meio do caminho, achou que estava sendo seguida, fez o trajeto contrário e veio parar no Espírito Santo.

“Ela tentou chegar a um lugar seguro, e entregou o filho a alguém que tivesse condições de cuidar dele até ela se reestabelecer. O que ficou evidenciado foi à fuga desesperada de uma mãe que queria proteger o filho”, afirmou o delegado.

Rocio conheceu o pai da criança, um professor canadense de 38 anos, na copa do mundo de 2014, quando ainda morava na Argentina. Em janeiro de 2015, ela descobriu a gravidez e os dois moraram juntos na fazenda da família, na Bahia, entre abril e junho. Mas o pai dela expulsou o homem de lá.

“Ele pregava que as relações sexuais tinham que ser entre os membros da mesma família, que não poderiam ter relações com outras pessoas. Tudo isso visando, nas palavras dele, uma pureza genética. Ou seja, queriam evitar, segundo ele, doenças e malefícios que ocorriam em outras famílias. Ele não queria isso na família dele”.

O delegado disse que todas as provas colhidas no Espírito Santo foram compartilhadas com a polícia de Itacaré, na Bahia, para que o inquérito fosse instaurado e todos os envolvidos fossem presos. Rocio foi ouvida por mais de cinco profissionais de poderes diferentes, que chegaram a conclusão da veracidade do fato.

“A criança recebeu apoio psicossocial e demonstra de certa forma, apesar da tenra idade, a violação de direitos. Os elementos de estupro de vulnerável são extremamente contundentes. Ouvimos o pai da criança, que demonstrou que havia algo errado naquela família”.

Rocio e o filho retornaram para a Argentina no último dia 1. O pai e irmão dela seguem presos na Penitenciária Estadual 5 de Vila Velha. Ainda não se sabe se eles serão transferidos para um presídio no Estado da Bahia.

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