Luiz Inácio Lula da Silva não é preso político.
É político preso.
Ainda que tecnicamente a justiça tenha expedido mandado de condução coercitiva, o efeito na imagem do ex-presidente foi devastador.
Não há que se discutir aqui o sempre gravíssimo vazamento seletivo de informações. Se o processo tramita em segredo de justiça, há que se apurar responsabilidades.
O mais grave, no entanto, o assistir Lula da Silva, numa entrevista coletiva onde, rodeado de amigos investigados, vomitou sua ira contra o que chama de imprensa a serviço das elites – a Rede Globo, de forma mais específica.
Fiquei com a sensação de estar assistindo ao filme “O silêncio dos inocentes”. Vi na tela da TV uma psicopata tentando, mais uma vez, manipular as massas que alimentou com recursos públicos ao longo dos últimos 13 anos.
Lula da Silva fala do petrolão como se fosse fruto da imaginação doentia de parcela do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário.
Para justificar a movimentação de 28 milhões de reais em suas contas bancárias, estabelece que o ex-presidente Bill Clinton recebeu o dobro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Acha absolutamente natural esse dinheiro ter, invariavelmente, ter saído de empresas com contratos milionários com o governo federal.
O sítio de Atibaia é dos amigos. O triplex do Guarujá é dos amigos. As palestras foram contratadas por amigos.
É uma relação curiosa, porque metade dos amigos de Lula consegue investir nele cerca de 30 milhões de reais.
A outra metade está na cadeia.
Fazer qualquer projeção, hoje, sobre o futuro político do País parece tarefa impraticável.
Além da tornozeleira eletrônica moral colocada em Lula da Silva, há que se avaliar primeiro o quanto esse episódio desgastou (ainda mais) as relações entre o ex-presidente e sua sucessora.
Dilma Rousseff, nesse momento, é a tábua de salvação de Lula da Silva. E a recíproca é verdadeira. O abraço dos afogados.
A luta de Dilma Rousseff é para não sofrer o processo de impeachment nem a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A de Lula da Silva é mais desafiadora: não ser preso.
O Partido dos Trabalhadores tem hoje o apoio de pouco mais de 10% do eleitorado brasileiro. Mas tem organizações importantes como a Igreja Católica, o MST e as centrais sindicais.
Perdeu o apoio da OAB, a maioria no Congresso Nacional e já não nada mais de braçada nas praias do Supremo Tribunal Federal.
Ao povo restou um sentimento renovado de esperança.
Acho que Lula e Dilma não sobrevivem. O PT não sobrevive. Mas a crise econômica sobrevive pelo menos até 2017.
Continuamos torcendo pelo fortalecimento das instituições responsáveis pela garantia e manutenção do estado de direito.
Com uma única ressalva: o Brasil não precisa de pirotecnia.

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