A justiça determinou que o policial civil Hilário Frasson permaneça na Penitenciária de Segurança Média I (PSME I), em Viana. A informação é do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES). Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da médica e ex-esposa dele, Milena Gottardi, no dia 14 de setembro, e está nessa unidade prisional desde o dia 8 de novembro.

O pedido foi indeferido pelo desembargador Adalto Dias Tristão, da 2ª Câmara Criminal de Vitória, que em sua decisão destacou a gravidade e a grande repercussão do crime em questão. “Portanto, não é demais concluir que se trata de crime grave, e que pelo menos em uma primeira análise existem elementos que indicam que possa ter sido praticado no contexto da violência de gênero (feminicídio)”, relatou.

O desembargador também lembrou que Hilário Frasson é policial civil e trabalhou na Superintendência da Polícia Civil do Estado antes de ser acusado por este crime, situação que, aliada ao fato da deficiência na segurança da unidade onde estava acautelado, possa revelar que talvez lá não fosse o local mais indicado para sua custódia.

“Tendo em vista a fragilidade na segurança do referido estabelecimento, aliado à forma totalmente discrepante como foi tratada a saída do acusado quando comparada à dos outros presos comuns, que muitas vezes não conseguem nem mesmo comparecer às Audiências Judiciais por falta de escolta, e que quando necessitam de atendimento médico não usufruem da liberdade que o ora paciente gozava”, destacou.

Hilário Frasson foi preso no dia 21 de setembro e permanecia na Delegacia de Novo México, unidade prisional de policiais civis, em Vila Velha. Por determinação da justiça, ele foi transferido para a Penitenciária de Segurança Média I (PSME I), em Viana, no dia 8 de novembro. A decisão foi do juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Marcos Pereira Sanches, baseado em quesitos como falta de segurança adequada para evitar eventuais fugas; e a ida do acusado ao dentista no dia 30 de outubro sem algema e escolta.

O pai de Hilário, Esperidião Frasson, também é acusado de ser um dos mandantes do crime. Outras quatro pessoas estão presas por envolvimento no caso: Dionathas Alves (acusado de ter atirado na médica no Hospital das Clínicas); Valcir da Silva (apontado como intermediador do crime a pedido dos mandantes); Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho (também suspeito de ser intermediar) e Bruno Rodrigues (que teria roubado a moto usada no crime).

O advogado de Hilário Frasson, Homero Mafra, foi procurado pela reportagem, mas preferiu não comentar o caso.

O crime

A médica Milena Gottardi, 38, foi baleada na cabeça no dia 14 de setembro, ao sair do trabalho no Hospital das Clínicas, em Vitória. Após entrar em coma, a morte dela foi constatada no dia seguinte.

Para a polícia a médica foi assassinada por interesses financeiros e ódio. Esperidião Frasson, ex-sogro dela, teria planejado o crime junto com o filho Hilário Frasson por não aceitar a separação do casal. O motivo seria a venda de terras avaliadas em R$ 100 mil para pagar dívidas de Hilário e a residência de Milena no estado de São Paulo.

Na avaliação do responsável pelo caso, delegado Janderson Lube, o ex-sogro passou a ver Milena como um problema financeiro, e não mais como membra da família. Uma vez que a separação fosse consumada, Hilário seria obrigado a ter responsabilidades financeiras com a médica e as duas filhas deles. “Ele queria a volta do casamento, mas quando percebeu, dois meses antes do crime, que a doutora Milena estava decidida pela separação, Esperidião e o filho começaram a arquitetar o crime”.

 

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