As taxas de juros negociadas no mercado futuro tiveram queda significativa nesta quinta-feira, 31, refletindo a melhora de percepção ante os ambientes externo e interno, que levou o dólar de volta ao patamar dos R$ 3,65. A sinalização do Federal Reserve de que poderá interromper os aumentos graduais de juros nos Estados Unidos continuou a produzir efeitos nos mercados internacionais, favorecendo o fechamento das curvas de juros. Por aqui, a expectativa com a reforma da Previdência seguiu como fator de otimismo. Nesse ambiente, o risco-país brasileiro caiu para o seu menor nível desde março do ano passado.

Ao final dos negócios na etapa estendida de negócios na B3, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 teve taxa de 6,38%, ante 6,46% do ajuste de quarta. O DI para janeiro de 2021 projetou 7,00%, ante 7,14% do ajuste anterior. O vencimento de janeiro de 2023 ficou com taxa de 8,10%, contra 8,33%. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2025 teve taxa de 8,64%, de 8,92%.

“Foi a combinação de dois fatores importantes. O Fed veio bem ‘dovish’, falando em interromper os aumentos de juros. Na Previdência, a sinalização de que a proposta pode incluir os militares foi recebida positivamente”, disse o gestor independente Paulo Petrassi.

Na quarta-feira, tanto o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, quanto o vice-presidente, Hamilton Mourão, sinalizaram que os militares estarão incluídos na proposta de reforma da Previdência. “Vai entrar, mas quem vai definir o timing é o presidente”, afirmou Marinho.

Mourão, por sua vez, disse que o governo pode enviar uma proposta de emenda constitucional e um projeto de lei para abarcar os militares ainda no primeiro semestre deste ano. Nesta quinta, no entanto, o porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que a aposentadoria dos militares será definida pelo presidente Jair Bolsonaro em um “diálogo consensual” com o Congresso Nacional.

Nesta sexta-feira (1º) ocorrem as eleições para as presidências da Câmara e do Senado. A expectativa é de que os acordos costurados entre os partidos confirmem Rodrigo Maia (DEM-RJ), tido como alinhado à agenda reformista, na presidência da Câmara. No Senado, apesar da preferência do mercado pelo nome de Simone Tebet (MDB-MS), a possibilidade de eleição de Renan Calheiros (MDB-AL) não chega a ser considerada má ideia. “Renan Calheiros pode ser um mau aliado, mas seria pior como adversário”, disse um operador.

Paula Dias
Estadao Conteudo
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