O Ibovespa teve forte alta nesta sexta-feira, 20, acompanhando a sinalização dada pelo índice futuro em reação à indicação de aliança entre o Centrão e o pré-candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin. Ainda que a aliança deva ser oficializada apenas na próxima quinta-feira, 26, a notícia contribuiu para o desmonte de posições mais acauteladas, que haviam sido tomadas diante de um cenário onde candidatos não reformistas se mostravam com mais força.

O principal índice do mercado acionário fechou em alta de 1,40%, aos 78.571,29 pontos. Na máxima, o indicador foi a 79.448,74 pontos. O giro financeiro foi de R$ 13,1 bilhões. O bom desempenho garantiu a alta de 2,58% nesta semana. E, muito embora, os ganhos do índice estejam na base de um dígito (8,94%), a valorização de algumas blue chips, como dos bancos, superam os 14% só em julho.

Mas, ao que tudo indica, o refresco na cena política não foi suficiente para firmar tendência de alta para a Bolsa. “O apoio do Centrão pode fazer Alckmin sair da inércia. Isso ajuda a Bolsa a recuperar as quedas recentes, mas não é uma reversão de tendência”, afirma Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor.

Tanto que, na segunda etapa da sessão de negócios, houve um descasamento de desempenho entre o índice à vista e o futuro, com vencimento para agosto. Enquanto o primeiro se mantinha com ganhos acima de 1%, o segundo já indicava queda por volta de 0,40%. “O fortalecimento de um candidato reformista reforça um anseio do que o mercado quer. Mas ainda vai haver bastante volatilidade depois do dia 17 de agosto”, ressaltou Santos.

As ações de estatais, termômetros das questões políticas, espelharam esse anseio. Os papéis da Petrobras fecharam em alta de 4,84% (PN) e 2,54% (ON). Banco do Brasil foi outro destaque com as ordinárias ganhando 5,30%. Também as ações da Eletrobras subiram 5,63% e 4,92% ON e PNB, respectivamente.

Contribuiu ainda para a valorização do mercado de ações o enfraquecimento do dólar em um movimento embasado na queda de braço de declarações sobre a política monetária dos Estados Unidos. Mais cedo, o presidente Donald Trump fez novas críticas à alta dos juros. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de St. Louis, James Bullard, respondeu, durante conferência em Glasgow (Kentucky), que a missão legal do Fed era manter a inflação na meta de 2% e promover o crescimento do emprego e que esses objetivos continuarão a ser almejados. Segundo ele, a declaração não deve ter impacto significativo nem levar a qualquer mudança nas decisões da instituição.

De acordo com a B3, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 530,689 milhões no pregão da última quarta-feira, 18. Com isso, foram oito pregões consecutivos de entradas levando o saldo mensal para R$ 4,501 bilhões. No entanto, no acumulado do ano, o volume de capital de não-residentes na bolsa segue negativo em R$ 5,446 bilhões.

Simone Cavalcanti
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