A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) informou nesta quarta-feira, 16, que gás clorino provavelmente foi usado como arma química na cidade de Saraqeb, na Província de Idlib, norte da Síria, em fevereiro deste ano. Este é relatório mais recente sobre o uso de gases tóxicos no país e, apesar de detalhado, o documento não informa qual lado do conflito utilizou a substância.

No texto, a Opaq afirma que “clorino foi liberado a partir de cilindros de impacto mecânico no bairro de Saraqeb, em Al-Talil”. No dia 4 de fevereiro, o grupo de busca e resgate Capacetes Brancos e uma instituição médica de caridade relataram que várias pessoas sofreram com dificuldades respiratórias após um ataque químico na região.

À época, as equipes disseram que três de seus socorristas e outros seis funcionários também apresentaram os mesmos sintomas. A Sociedade Médica Sírio-Americana afirmou que seus hospitais em Idlib trataram 11 pacientes por suspeita de intoxicação por gás clorino.

A Opaq destacou que seus investigadores produziram o relatório com base em evidências, incluindo “a presença de dois cilindros, que cujo conteúdo anterior foi determinado como cloro; depoimentos de testemunhas; amostras ambientais que demonstraram a presença incomum de clorino e o número de pacientes que buscaram atendimento logo após o ataque, com sintomas consistentes de exposição ao clorino e outros produtos químicos”.

Saraqeb fica em Idlib, um reduto de rebeldes e oposicionistas ao governo do presidente Bashar Assad. A província também é lar de militantes ligados à Al-Qaeda. Esta mesma cidade já foi alvo de outros supostos ataques químicos em 2016 e 2013. A investigação sobre armas químicas em Saraqeb ocorre paralelamente à investigação sobre outro ataque na Síria, na cidade de Duma, perto da capital Damasco, em abril, que matou ao menos 40 pessoas.

O ataque causou uma retaliação de EUA, França e Reino Unido, que culparam o governo e lançaram ataque aéreo a instalações militares no território sírio. As forças de Assad foram repetidamente acusadas de usar armas químicas contra civis durante o conflito, iniciado em 2011, mas o regime nega tais alegações. Os rebeldes também foram acusados de utilizar gases tóxicos.

AP
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