O promotor do Grupo de Combate ao Crime Organizado de Curitiba Leonir Batisti afirmou nesta sexta-feira, 14, não ter “partido, cor, ou intenção de prejudicar alguém”, em reação a procedimento administrativo aberto pelo Conselho Nacional do Ministério Público contra promotores que investigam Fernando Haddad (PT), Beto Richa (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). Integrante do Gaeco do Paraná, Batisti é um dos responsáveis pelo pedido de prisão de Richa, ocorrida na terça-feira, 11, no âmbito da Operação Radiopatrulha – investigação sobre supostas propinas de R$ 67 milhões ao tucano em contratos de manutenção de estradas rurais no interior do Estado.

“É ruim que tenha sido nesse momento? É ruim, mas estamos muito tranquilos na avaliação de que fizemos aquilo que é correto fazer do ângulo de promotores”, afirmou Batisti, ao rechaçar suposto interesse político eleitoral na ofensiva contra o ex-governador do Paraná.

O pedido de investigação contra os promotores foi feito pelo conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello, aliado do senador Renan Calheiros (MDB-AL) no Conselhão do MP.

Após a ofensiva de Bandeira, o presidente da Comissão de Preservação da Autonomia do Ministério Público, Marcelo Weitzel Rabello de Souza, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), abriu um Procedimento Interno para apurar “possível violação à autonomia do Ministério Público Brasileiro”. A decisão acolheu pedido de providências encaminhado pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).

O promotor Batisti disse que o Gaeco foi procurado há cerca de quatro meses. “Fomos procurados em maio deste ano. Então, desculpem, ao contrário do que alardearam, não estamos investigando há 4 anos alguma situação que nós teríamos segurado para posteriormente aproveitar algum momento que coincide com o período de campanha eleitoral.”

“Isso é o que eu quero deixar muito claro que não aconteceu”, segue Batisti. “Os fatos foram acontecendo a partir de maio, quando submetemos a colaboração (do empresário Tony Garcia) ao Judiciário para homologação, que por motivos variáveis também demorou. Então, àqueles que supõem que escolhemos uma data, lamento dizer que estão enganados. Verdadeiramente, não manipulamos nada, não é nossa intenção e não vamos fazer.”

“Somos do poder público e somos pagos pela sociedade para fazer isso que estamos tentando fazer, então o paradoxo é que algumas pessoas achem que a gente deva deixar para depois”, seguiu o promotor. “O que eu penso que esteja errado e eu jamais me prestaria a tal função é iniciar alguma situação ou buscar deliberadamente prejudicar alguma candidatura, seja do partido verde, amarelo, etc…”

Além da ofensiva do conselheiro, a prisão de Beto Richa e as ações contra o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin, estes dois candidatos ao Palácio do Planalto, também repercutiu no Judiciário.

Gilmar Mendes, do Supremo, criticou na quarta-feira, 12, o que chamou de “hiperativismo” do Judiciário em relação a processos movidos contra candidatos do pleito de 2018.

Segundo o ministro, há um notório “abuso de poder de litigar” e um risco de tumulto ao processo eleitoral, quando questionado sobre as ações e investigações contra os candidatos.

“Nós sempre pensamos, algumas pessoas têm como esporte criticar o Ministério Público, e inclusive pessoas de alta representatividade na República, então, nós, quando avaliamos esta circunstância da nossa investigação, sabemos que é um contra-ataque”, avalia Batisti.

Para ele, “há pessoas que dizem: ‘Mas precisavam pleitear a prisão ou não?’ A gente sabe disso. Existem polêmicas que fazem parte”, afirma o promotor do Gaeco do Paraná.

Katna Baran e Luiz Vassallo
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