Grazieli Esposti

Grazieli Esposti é jornalista e especialista em Comunicação Estratégica e Gestão da Imagem, mas sua maior realização é, sem dúvida, a maternidade. Mãe do Bernardo e Henrique, ela divide, em sua coluna, um pouco das dores e delícias dessa viagem sem volta. Tudo com muita opinião, sinceridade, respeito, fé e bom humor. Sugestões: jeitodemae@eshoje.com.br / Instagram: @colunajeitodemae / Fan page: Coluna Jeito de Mãe.

2

Hoje eu quero falar sobre ansiedade. Mas não sobre algum tipo de transtorno que as crianças podem passar e sim, sobre a nossa ansiedade, das mães, pais e familiares. Há um tempo esse assunto foi tema de discussão em um grupo de mães que faço parte. Em pauta a relação filhos doentes X ansiedade da mãe X pediatra. As opiniões, claro, totalmente diferentes.A cada dia percebo mais que algumas mães estão perdendo a noção do bom senso, do limite mesmo. Semana passada li um artigo sobre isso e vi o assunto novamente ser discutido, dessa vez em um outro grupo, bem maior, e em pouco tempo, quase 200 comentários.

Bem, primeiro quero contar uma experiência pessoal, pra ajudar ilustrar essa conversa. O pediatra do meu primeiro filho, que o acompanhou até 1 ano e 6 meses não passava o número do celular. Isso mesmo, podem ficar pasmas. Na época não tinha muita opção e nem imaginava que hoje em dia esse item se tornaria quase que obrigatório para o pediatra ser considerado um bom profissional. Sendo assim, segui. Não vou dizer que foi fácil esse caminho, pois não foi, mas foi compensador e libertador. Aprendi, mesmo que na marra, a conhecer o meu filho, a observá-lo, a acalmá-lo e examiná-lo. Sim, nós podemos e devemos fazer isto. Prestar atenção aos sinais que a criança manifesta e não desesperar na primeira febre, até porque ela é uma reação do organismo a doença, ou seja, necessária. Outro conhecimento adquirido.

Esse pediatra me dizia o seguinte, se o caso realmente for grave, de emergência, não vai adiantar você me ligar, terá que ir para o hospital ou chamar o socorro. Tudo me parecia duro, pesado quando ele falava, até que um dia eu entendi. Bernardo caiu, bateu a cabeça e teve que levar quatro pontos. Obviamente, tratava-se de uma emergência hospitalar.

Mas por que não conseguimos manter a calma, respirar e raciocinar quando o assunto é filho doente? Acredito de verdade, que um dos motivos é a nossa atual realidade. Vida corrida, pais que trabalham fora, filhos terceirizados, entre outros fatores. A culpa aumenta e com ela a ansiedade e insegurança. Sendo assim, temos a necessidade de ouvir um amém de um terceiro. Explico. Precisamos que o pediatra diga que está tudo bem, que podemos ficar tranquilas e só precisamos continuar a observar, mesmo que seja por telefone ou mensagem. Pois não, não conseguimos concluir isso por conta própria boa parte das vezes.

4

Em conversa com alguns pediatras, eles me relataram que mais da metade dos telefonemas que recebem não se trata de nada grave. Alguns exemplos são clássicos. O tempo mudou, a criança começa a tossir, espirrar e até corizar. Se fosse com a gente, a receita seria simples, cama, canja de galinha e muita água. Mas como é com nosso filho, precisamos consultar o médico. Outros exemplos beiram o absurdo. Pai ligar, pra perguntar qual tipo de batata dar na introdução alimentar do bebê, pois não foi especificado.

Mas aí você pode questionar. Mas faz parte da profissão deles, e como todas, tem seu ônus. Sinceramente, não concordo. Acho que podemos ligar sim, mandar mensagens, caso o pediatra disponibilize seu celular, mas precisamos respirar fundo e raciocinar antes. Não dá pra acordar o médico às 3h da manhã pra dizer que o filho está com febre ou que o antibiótico que ele acabou de começar a tomar ainda não fez efeito. Pediatras são seres humanos também, tem vida particular e família, como todos nós.

É importante deixar claro, que estou falando em exageros, em atitudes sem noção, que podem ter certeza, acontecem muito. Talvez por isso a procura pela pediatria esteja diminuindo cada vez mais. Hoje no Brasil, já temos um déficit nessa área. Por que será? Tem que ter muita vocação, doação e amor para assumir essa responsabilidade, pois certamente não é pelo dinheiro.

O outro motivo que leva a esse comportamento, acredito ser a falta de empoderamento. A palavra está difundida, com a ascensão do parto normal, mas eu estou falando de um empoderamento para a maternidade. Se hoje nos preparamos para parir, sabemos que sentiremos dores, que pode demorar, mas que faz parte do processo e a recompensa virá, por que não nos empoderarmos para a maternagem também?

Saber “aguentar” o choro do bebê, que logo quando nasce só se expressa dessa forma, seja pra dizer que está com fome, frio, etc faz parte da maternidade. Ou aprender esperar uma febre abaixar, dar tempo para o remédio fazer efeito. O que acontece é que não toleramos muita coisa, fato. Então me responda. Estamos falando do estado de saúde da criança ou da ansiedade da família que precisa de respostas e soluções instantâneas e mágicas?

É preciso refletir, o assunto é delicado e te faço um convite para juntos pensarmos e respirarmos antes de agir. Não quero generalizar, muito menos tirar o meu da reta, é bom que fique claro. Quero que pensemos no assunto. E para concluir, deixo um forte abraço de gratidão aos bons pediatras que “nos aguentam” diariamente e cuidam dos nossos filhos como se fossem deles. Muito obrigada! Até a próxima!

Cometários

  1. Medicina e patologias são coisas muito complexas, a anos trabalho na área
    e sempre penso que é fantástico o corpo humano. Gostei muito do assunto
    e busco muitas informações na internet sobre patologias de diversas áreas
    embora eu seja especializado em pediatria.Parabéns pelo site, um abraço 😉

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *