predio ocupadoCerca de 45 famílias que integravam a “Ocupação Chico Prego” no antigo prédio do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), no Centro de Vitória, estão em um novo local, de número 59, na Avenida Jerônimo Monteiro. Ao todo são entre 70 e 75 pessoas no edifício de quatro andares, com um cômodo cada, divido de forma coletiva. A organização é do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e o Brigadas Populares.

Uma decisão judicial em 2ª instância da Superintendência do Patrimônio da União no Espírito Santo (SPU-ES) determinou a reintegração de pose do antigo IAPI, e as cerca de 150 famílias, dividas em 225 pessoas, que estavam no local a cerca de dois meses, precisaram desocupa-lo no último dia 23. Segundo Tiago de Almeida, algumas delas conseguiram doações e foram para a casa de parentes. Mas nem todas tiveram essa possibilidade.

A desempregada Adriana Ferreira Conceição, 30, está na ocupação com os filhos de idade entre 8 e 15 anos e grávida de três meses. Ela conta que morava no bairro Bela Vista, em Vitória, e trabalhava como auxiliar de serviços gerais. Mas ficou viúva em novembro de 2016, perdeu o emprego e foi despejada sem ter ajuda dos parentes ou para onde ir. “Peguei meus filhos, fomos para a ocupação na fazendinha e estamos lutando por moradia até hoje”.

Contou ainda que a vida para quem integra uma ocupação é difícil e depende de doações. “O governo não faz nada por nos. Só promete e não cumpre. Fazemos nossa parte, mas eles não. Assim fica difícil. Quem puder nos ajude com roupas, alimentos e qualquer coisa. Será bem vindo. Temos muitas crianças”.

O também desempregada Maria Margareth Rodrigues, 45, está na ocupação com uma filha de 7 anos. Ela era auxiliar de serviços gerais e morava no bairro São Pedro. “Desde o início eles dizem que vão fornecer aluguel social e moradia, mas até hoje nada”.

O coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Tiago de Almeida, informou que o Centro da capital tem mais de 200 prédios abandonados, segundo levantamento da Associação de Moradores do Centro de Vitória (AMACentro). O prédio da ocupação atual teria sido adquirido pela prefeitura da capital há cinco anos, para funcionamento do projeto “Morar no Centro.

Disse ainda que caso não haja uma solução, as famílias vão continuar se organizando para ocupar outros locais.  “O poder público está se omitindo. O movimento nacional pede que governo e prefeitura de posicionem para ajudar essas famílias”.

O coordenador da ocupação, João Alexandre Wyatt, disse que o prédio não é condenado pela defesa civil e tem infraestrutura razoável, com muita poeira. Cerca de 20 a 25 pessoas, entre estudantes, sindicalistas, engenheiros e arquitetos integram a frente da “Ocupação Chico Prego”, na de ampliar a luta por reforma urbana em todo o Estado e Brasil.

“Sabemos que existem diversos terrenos e prédios que não cumprem sua função social. No Centro de Vitória, são de mais de 200 que estão abandonados e jogados aos ratos e baratas. Nos persistimos, vamos exigir dos governos aluguel social, moradia e isso se faz ocupando prédio público”.

Ele afirmou que o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, não dialoga com o movimento, descumpre acordos e não se compromete com o dever legal de dar moradia e aluguel social as famílias da ocupação. “Se elas não tiverem isso, estarão na rua, aumentado uma população que já chega a 1047 pessoas, segundo matéria veiculada recentemente”.

A “Ocupação Chico Prego” começou no início de abril, quando as famílias demarcaram lotes e permaneceram cerca de 40 dias na chamada “fazendinha”, em um terreno do bairro Grande Vitória, em São Pedro. Depois.  Logo após eles migraram para o prédio onde funciona a Casa do Cidadão, no bairro Itararé, e ficaram por duas semanas. Após a desocupação do antigo IAPI, eles foram para Centro Comunitário do bairro Piedade, mas os responsáveis pediram a saída deles. As famílias aceitam doações de todos os tipos.

Superintendência do Patrimônio da União no Espírito Santo

A Superintendência do Patrimônio da União no Espírito Santo (SPU-ES) também informou por nota que só possui o Edifício Presidente Vargas (antigo IAPI) no Centro de Vitória. Não há informação de nova ocupação em imóvel da União.

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