motohomeImagine viver sobre rodas. Essa é a história do Rodrigo Nunes, 37, da esposa Andreia Razze, 40, e de um ônibus que os leva para todos os lugares há dois meses. No pacote três filhos, de 6, 7 e 17 anos. Eles chegaram a Vila Velha na última segunda-feira (2), após passarem pelo Rio de Janeiro e Guarapari. Desde então, estão no Ginásio do Tartarugão, em Coqueiral de Itaparica, aguardando a próxima aventura que deve durar pelos próximos cinco anos.

Rodrigo conta que é palestrante. Natural da cidade de São Roque, em São Paulo, o ônibus é um sonho antigo, e tudo começou há 10 anos, com viagens de moto. Ele rodou toda a América durante um ano em duas viagens. Ou como ele mesmo diz, conheceu um terço do planeta. Mas faltava conhecer os outros dois!

“Nós trocamos uma casa de concreto por uma sobre rodas. Estamos vivendo uma forma bem diferente, fora da caixa, como eu brinco. E proporcionado a nossa família algo bastante diferente, em cultura, pessoas e histórias. Nosso sonho é conseguir fazer a volta ao mundo nos próximos cinco anos”.

motoromeDurante as viagens ele conheceu a Andreia, uma técnica de laboratório que vivia para o trabalho. Foi preciso muita conversa até que ela decidisse pela vida viajando junto com ele, até então, de moto. Com a chegada das duas meninas, de 6 e 7 anos, eles optaram por conforto, mas procuravam por um veículo simples. Até que avistaram o ônibus e ela trocou a casa de herança pelo veículo.

“No começo foi difícil, porque vim de uma família tradicional. E é tudo diferente, sem rotina. Trabalhava 12 horas por dia, sem sábado, domingo e feriados. E aqui a cada semanas estamos em locais diferentes. Já estou me acostumando. Não me arrependo de jeito nenhum”, disse Andreia.

O veículo é uma verdadeira casa sobre rodas. Tem quarto, sala, banheiro, televisão, fogão, internet e até jogos. A vantagem, segundo Rodrigo, é que eles não pagam conta de água, luz e IPVA. O gasto é com comida. A renda vem da venda de um livro escrito por ele, o “Fique rico viajando”, lançado esse ano. Durante as paradas ele oferece palestras, mas cobra 1 kg de alimento não perecível, que é doado para algum lugar.

As duas meninas são educadas em casa. A legislação brasileira não permite que elas fiquem fora de uma escola. Por isso, elas são matriculadas em um colégio particular de São Paulo, mas recebem apostila e toda a educação necessária em casa. “É muito mais trabalhoso do que quando eu tinha minha moto. Acompanhamos todo o conteúdo pelas apostilas. Acredito que a parte teórica é bem valiosa. Mas elas vão levar para a vida tudo o que viram, não só o que leram”.

Já o Lucas, de 17 anos, disse que vai pensar sobre o assunto quando encerrar a viagem. Contou também que se tornou uma pessoa melhor após iniciar as viagens, que faz amigos em todos os lugares por onde passa. “A gente se despede, mas acaba tendo onde ficar e depois conhecemos outras pessoas”.

A viagem pode ser acompanhada através do site www.mundoemfamilia.com.br e nas redes sociais onde a família registra todos os locais por onde passam. Do Espírito Santo eles seguem para São Luís do Maranhão e depois descem para a Patagônia, na Argentina. O planejamento é sair do Brasil em um ano e chegar em um lugar especial. “Na África. Todo mundo que dá a volta ao mundo diz que lá o ápice da viagem. Tanto pela beleza, quanto pela simpatia e o fato de em alguns locais falarem português. Acho que o que fica é que o sonho é realmente possível. A menos de três meses atrás, parecia algo muito difícil. Hoje a gente pensa porque não saiu antes!”.

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