Médicos forenses tentam identificar as vítimas da erupção do Vulcão de Fogo em um necrotério improvisado na Guatemala. Cerca de 15 especialistas fazem autópsias nos corpos, que chegam embrulhados em lençóis e plástico.

Primeiro, verificam os objetos, como roupas. Em seguida, extraem DNA dos ossos, já que os tecidos estão muito danificados pelo calor extremo dos fluxos vulcânicos. Então, é realizada a comparação com o sangue de possíveis parentes.

Um corpo rígido como uma estátua estava sobre uma das mesas. Ao lado, uma dupla de especialistas analisa a vítima. A mulher faz anotações e o homem fotografa o corpo.

Outras dezenas de corpos estão alinhados no mesmo local, armazenados em sacos plásticos. Ao todo, há 40 cadáveres no necrotério. Eles fazem parte do número confirmado, até o momento, de 109 mortes. Cerca de 200 pessoas estão desaparecidas.

Nesta sexta-feira, 8, autoridades ordenaram novamente que a população desocupasse áreas próximas ao vulcão. Segundo a Coordenadoria Nacional para Redução de Desastres da Guatemala (Conred), fluxos vulcânicos desceram por quatro cânions nesta manhã, ameaçando chegar a áreas ainda não afetadas pela tragédia.

O jardineiro Estuardo Hernandez, de 19 anos, diz ter certeza de onde seus pais estão. Ele conversava com o pai pelo telefone quando milhões de toneladas de cinza vulcânica atingiram San Miguel Los Lotes, uma aldeia situada na encosta do vulcão.

“Ele me ligou às 15h13 do domingo”, disse o jovem, enquanto seguia para o trabalho. “A última coisa que ele me disse foi para ir para longe daqui. A última coisa que ouvi ele dizer foi ‘Entre! Tem muito fogo lá fora'”. Hernadez diz ter certeza de que os pais estão enterrados pelas cinzas, dentro de casa.

AP
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