ewscolas de sambaUma assembleia foi convocada para destituir o presidente da Liga Espírito Santense das Escolas de Samba (Lieses), Jadilson Damascena. A reunião está prevista para a próxima terça-feira, às 09 horas, na sede da escola de samba Chega Mais. O anúncio da assembleia foi realizado durante entrevista coletiva, na tarde desta sexta-feira (12), em Vitória. A coletiva foi convocada por 12 das 19 escolas que desfilam na Grande Vitória.

De acordo com vice-presidente da Lieses e presidente da Chega Mais, Edson Neto, as escolas representadas pela Lieses estariam insatisfeitas com a atual gestão. “Ele (Damascena) toma a atitude sozinho, quer fazer tudo sozinho para tentar tumultuar o carnaval. Ele esquece das escolas de samba, que monopolizar tudo, mas ao mesmo tempo não está fazendo nada”, afirmou.

Ainda segundo Neto, dentre os problemas acarretados pela atual gestão da Lieses e que podem impactar a realização do carnaval estão o atraso quanto ao repasse de verbas para as escolas, e as vendas dos ingressos de arquibancada, que ainda não tiveram início.

Damascena foi eleito em maio deste ano, e o término de seu mandato é previsto para 2021. Ao todo, sete escolas fazem parte da Lieses, mas apenas seis possuem direito de voto na assembleia convocada, já que o presidente da Chega Mais ocupa o cargo de vice. Em caso de empate, o voto de minerva cabe ao presidente da executiva ou do conselho deliberativo.

Procurado pela reportagem de ES Hoje, o presidente da Lieses, Jadilson Damascena, afirmou que já recebeu o edital de assembleia, e acredita que sairá vitorioso, já que a disputaria empatada. “O pessoal do Edson Neto tem três votos, e eu tenho três. Um dos votos de minerva cabe ao presidente da Rosas de Ouro, com o qual já estou me reunindo. Além disso, para que haja minha destituição tem que haver motivo. O que eu estou fazendo é defendendo a Lieses em cima da lei do chamamento público. Não vou fazer nada que possa prejudicar a Lieses na disputa pelo Sambão do Povo”, afirmou.

Quanto ao suposto atraso na venda dos ingressos de arquibancada, Damascena afirmou que “não pode colocar a venda um espaço público, e que depende de um posicionamento da Prefeitura de Vitória sobre quem, de fato, deverá organizar o carnaval.

Discórdia sobre obras no Sambão e disputa por verba de mais de R$ 2 milhões

Atualmente, Liesge e Lieses vivem verdadeiro “pé de guerra”. De um lado, a Lieses de Dasmascena afirma que obras para a realização do Carnaval de Vitória, como a montagem das estruturas metálicas e banheiros, por exemplo, só deveriam ser realizadas a partir da divulgação do resultado do repasse de R$ 2,1 milhões que será entregue pela Prefeitura de Vitória para quem for organizar o evento.

Do outro, está a Liesge de Sarmento que desde o dia 05 de dezembro realiza as obras na passarela do samba. “Alguém tinha que ser responsável pela montagem de toda a estrutura para que o carnaval ocorra. Não podemos ficar parados. Se não iniciássemos a obra, não teríamos tempo hábil para a realização do Carnaval de Vitória”, defende Sarmento.

Embora tenham sido iniciadas há pouco mais de um mês, nenhuma vistoria foi realizada nas obras do Sambão do Povo até o momento. A expectativa da Liesge é de que a primeira ocorra na semana que vem.

No entanto, segundo Damascena, a Liesge age de forma ilegal. “O que a Liesge está fazendo é um loteamento do Sambão. Como que ela realiza obras não Sambão sem a divulgação do chamamento público? Quem deu autorização para essas obras?, questiona.

A definição de qual das ligas deverá receber os recursos da Prefeitura de Vitória está prevista para o dia 22 de janeiro. No entanto, embora critique a realização das obras que já estão acontecendo, o presidente da Lieses diz que, caso seja selecionado, não irá se desfazer da estrutura montada. “Se a Lieses for selecionada, eu vou chamar todas as escolas, até porque não tenho problema com nenhuma, e vamos fazer tudo junto. Não vamos desmanchar a estrutura, mas vamos tocar o carnaval juntos”, afirmou.

Escolas reclamam

Enquanto Lieses e Liesge não se entendem, as escolas reclamam sobre as condições enfrentadas por elas para a realização dos desfiles. A principal queixa refere-se às questões financeiras. “Não recebemos nenhuma verba, e os nossos fornecedores só aceitam pagamento à vista. Fazer carnaval hoje em Vitória é muito difícil”, afirmou o presidente da Mocidade Unida da Glória, Robertinho.

Já o presidente da Unidos da Piedade, Edvaldo Teixeira, disse que as escola encontrou na venda das fantasias uma alternativa para o enfrentamento da crise. “A Piedade, assim como todas as escolas, já está vendendo suas fantasias, e essa tem sido nossa principal fonte de renda. Não temos recursos, mas nós vamos entrar na avenida. Nós só não vamos desfilar se a prefeitura não deixar”, disse.

Mediante a tantos conflitos e entraves financeiros, o que muita gente se pergunta é se haverá, de fato, carnaval em Vitória em 2018. Nesse sentido, tanto Liesge, quando Lieses, são unânimes: sim, haverá. “As escolas são fortes. As comunidades são fortes. O carnaval pertence ao povo, o carnaval não pertence a uma pessoa que quer se perpetuar no poder”, defende Damascena, alfinetando Saramento.

Já o presidente da Liesge rebate e diz que “haverá carnaval, mas o que incomoda é que tem gente achando que precisa ter o controle de tudo”.

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