Roman Krznaric é um militante internacional da empatia, filósofo e membro fundador da “The School of Life”. Autor dos best-sellers “Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida”, “O Poder da Empatia” e “Sobre a Arte de Viver”, ele está no Brasil para lançar o novo livro, “Carpe Diem – Resgatando a Arte de Aproveitar a Vida”. Veja a seguir entrevista concedida pelo filósofo ao jornal O Estado de S. Paulo

De que forma a empatia pode ajudar a criar mudança social, combatendo preconceitos e superando divergências sociais?

Empatia é a habilidade de se colocar no lugar de alguém e ver o mundo através desses olhos. Sempre foi uma ferramenta poderosa para superar os estereótipos e preconceitos. Costumava dirigir, por exemplo, a organização chamada Oxford Muse. E uma das coisas que fizemos foi uma conversa durante refeições. Convidamos pessoas de muitas origens diferentes, ricos e pobres, negros e brancos, judeus e muçulmanos, para almoçar. Em vez de darmos um cardápio de comida, demos um cardápio de conversa, com discussões sobre a vida. Por exemplo: o que você aprendeu sobre as diferentes variedades de amor em sua vida? Ou: você gostaria de ser mais corajoso? Ou: como suas prioridades mudaram ao longo dos anos? Você vê um pouco de si mesmo no outro.

Muitos teóricos estudam e propagam em todo o mundo diferentes formas de encontrar a própria paz e uma relação saudável com o outro. Por que você acredita que empatia e carpe diem (viver cada dia, na visão da Antiguidade), por exemplo, podem ser bons antídotos hoje?

O século 20 foi uma era de individualismo – hiper individualismo, extremo individualismo – e nos disse que a questão da vida era: o que eu ganho com isso? A indústria de autoajuda nos disse: ‘Olhe dentro de si para encontrar as respostas para a vida’. A publicidade disse: ‘Preocupe-se com você mesmo’. O que está acontecendo agora é que percebemos cada vez mais que para encontrar um significado na vida, a paz e um senso seguro de si não é suficiente apenas olhar para dentro de si mesmo. Se a questão do século 20 foi ‘quem sou eu?’, a questão do século 21 é ‘quem é você?’. A empatia é uma forma de criar esta nova era de quem é você. É sobre ‘extrospecção’ em vez de introspecção. Empatia e carpe diem são as únicas soluções que dão significado para a vida.

A empatia é uma habilidade que se ensina e se desenvolve?

Em parte, é genética. Pesquisadores dizem que 50% de nossa habilidade empática é inerente – o que nos deixa outros 50%. Isso é uma boa notícia porque você pode aprender empatia, como andar de bicicleta ou dirigir um carro.

Como podemos promover empatia na nossa família e no nosso ambiente de trabalho?

Parte da habilidade empática está em ouvir. Acho que há caminhos para a boa escuta empática. Um deles é: seja presente para a outra pessoa. Procure olhá-la no olho. Não interrompa, não fique mexendo no celular. A segunda é: em conversas, especialmente as difíceis, ouça os sentimentos e as necessidades do outro.

A sociedade brasileira tem vivido momentos de polarização na política, com as eleições causando tensão entre familiares, amigos e até anônimos nas redes sociais. Qual é a saída?

Seja qual for o resultado no segundo turno das eleições, o Brasil será uma sociedade dividida. Então, essa é a pergunta: como você cria e constrói tolerância e respeito? Precisamos fazer com que pessoas de ambos os lados conversem entre si. E ouvir um ao outro. Talvez haja gritos. Isso faz parte da vida. Mas precisamos criar os espaços para um tipo de reconciliação.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Juliana Diógenes
Estadao Conteudo
Copyright © 2018 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *