tosseSomente no ano de 2017, o Espírito Santo registrou 1.089 casos novos de tuberculose e 67 mortes pela doença. Os dados fazem parte de um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Apesar de os números serem menores que os de 2016, quando foram notificados 1.102 casos da doença e 78 óbitos, ainda preocupam.

Para evitar a doença, é importante estar atento a alguns sinais. Tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro, pode ser tuberculose. Para reduzir a possibilidade de piora no quadro de saúde, é importante iniciar o tratamento o quanto antes, mas, para isso, é necessário ir a um serviço de saúde o mais rápido possível para que seja feito o diagnóstico. Essa é a orientação que a Sesa tem para a população nestes dias que antecedem o Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, comemorado neste sábado (24).

A coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria de Estado da Saúde, Ana Paula Rodrigues Costa, ressalta que é importante não negligenciar a tosse que persiste por mais de três semanas, que é o principal sintoma da doença. “Estamos nos aproximando do tempo frio, período em que as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas e existe maior possibilidade de ocorrerem infecções respiratórias. As pessoas podem confundir a tosse que pode ser da tuberculose com uma alergia ou um resfriado mal curado, por isso é necessário buscar orientação num serviço de saúde se a tosse persistir por mais de três semanas”, orientou.

Segundo Ana Paula, apesar de existir cura para a tuberculose, a doença ainda é cercada de preconceito e medo por parte da população. Segundo Ana Paula Costa, a cura é uma das principais estratégias para redução da doença, mas a taxa de abandono do tratamento e o percentual de cura observados no Espírito Santo ainda estão abaixo do recomendado. Por isso a área continua trabalhando com o lema ‘testar, tratar e vencer’, ou seja, detectar rapidamente a doença e tratá-la até que a pessoa seja curada.

Dados de 2016 mostram que, do total de 936 novos casos de tuberculose pulmonar – a forma mais comum da doença – com confirmação laboratorial registrados no Espírito Santo naquele ano, 73,7% obtiveram cura e 9,5% abandonaram o tratamento. A coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose da Secretaria de Estado da Saúde diz que os números estão próximos da média nacional (73% de cura e 10,3% de abandono do tratamento), mas ainda estão aquém do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O ideal, para o controle da doença, é que seja alcançado pelo menos 85% de cura, e que a taxa de abandono do tratamento seja menor que 5%.

Para o diagnóstico precoce, Ana Paula argumenta que é importante uma atuação atenta da atenção primária e a realização de busca ativa dos casos de tuberculose dentro da comunidade. E uma vez que o caso é diagnosticado, ela afirma que a principal estratégia para alcançar a cura e reduzir o abandono e a mortalidade é o Tratamento Diretamente Observado (TDO).

“O TDO é uma estratégia de adesão do doente com tuberculose ao tratamento. Consiste em observar o doente ingerir o remédio, seja por meio da visita do agente de saúde à casa do paciente ou a ida do paciente até a unidade de saúde para tomar a medicação na presença do profissional”, explica.

Sintomas e tratamento

O sintoma principal da tuberculose é tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Mas a pessoa também deve ficar atenta a sintomas como febre baixa, geralmente à tarde; suor à noite; falta de apetite; perda de peso; cansaço causado mesmo por pequenos esforços; fraqueza e dor no peito e nas costas. Nos casos mais graves, o doente pode chegar a tossir sangue.

“A pessoa deve logo buscar a unidade de saúde mais próxima de sua residência se observar esses sintomas. Se constatada a tuberculose, o tratamento deve ser iniciado rapidamente. O tratamento é feito com antibióticos e dura seis meses, o que é considerado um período longo. É preciso que o paciente tenha consciência da importância do autocuidado, porque se houver abandono do tratamento a doença pode evoluir para a forma mais resistente ou levar à morte”, salienta a coordenadora, enfatizando que o óbito também pode ser causado pelo diagnóstico tardio.

Segundo Ana Paula, o exame que detecta a doença é a baciloscopia de escarro, que é realizada em todos os municípios do Espírito Santo. O exame, via de regra, é feito nas unidades básicas de saúde dos municípios e o resultado sai em até 48 horas. O tratamento também é feito na unidade básica de saúde, que entrega os medicamentos e faz todo o acompanhamento do paciente.

A coordenadora diz que os municípios de Vila Velha, Cariacica, Serra e Vitória, onde a demanda é maior, oferecem o Teste Rápido Molecular para tuberculose. Esse teste identifica o bacilo em menos de duas horas após a chegada do teste ao laboratório. O teste rápido é feito com tecnologia biomolecular, que, além de detectar o bacilo, identifica se ele tem resistência à rifampicina, que é o principal remédio para tratamento da tuberculose.

De acordo com Ana Paula, o Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen) também realiza o Teste Rápido Molecular, atendendo os municípios com demanda menor e recebendo também amostras encaminhadas por hospitais e serviços de saúde que atendem populações vulneráveis.

Jornada

O Programa de Residência Médica em Pneumologia e Infectologia Pediátrica do Hospital Estadual Infantil de Vitória realizará, na sexta-feira (23), a Jornada Estadual de Tuberculose em Pediatria. O objetivo do evento é reunir profissionais da área para atualização de conhecimentos sobre tuberculose na infância e na adolescência. Entre os assuntos que serão discutidos estão as novidades do diagnóstico da tuberculose em crianças e o tratamento da coinfecção HIV/Tuberculose na infância.

A Jornada será realizada das 9 às 13 horas, no auditório do Hospital Estadual Infantil de Vitória – Alameda Mari Ubirajara, nº 205, Santa Lúcia, Vitória.

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